- Bildnis Elisabeth Lederer, de Klimt, foi vendida na Sotheby’s, em Nova York, em novembro, por US$ 236,4 milhões com taxas, na coleção de Leonard Lauder.
- A obra é considerada a última grande pintura a óleo de Klimt encomendada que não está em museu, refletindo a alta do mercado de “troféus”.
- A venda tem peso histórico: Elisabeth Lederer era filha do principal patrono de Klimt, conectando a pintura à Viena cultural da época.
- Muitas obras da coleção Lederer foram confiscadas pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial e, em 1948, foram restituídas a familiares; outras foram queimadas em Schloss Immendorf, em 1945.
- O mercado de Klimt é extremamente restrito: grandes retratos e landscape aparecem raramente, com recordes impulsionados por negociações privadas anteriores e pela forte demanda global.
Gustav Klimt mais uma vez entra em evidência no mercado de arte com uma venda tripla de alto valor. O retrato Bildnis Elisabeth Lederer (1914-16) foi leiloado pela Sotheby’s, em Nova York, dentro da coleção de Leonard Lauder, em novembro, estabelecendo novo recorde de preço com 236,4 milhões de dólares com taxas.
Especialistas destacam a natureza do quadro como uma das obras-troféu do artista e ressaltam que o mercado para esse tipo de pintura é extremamente restrito. A elevada demanda vem de colecionadores com recursos significativos, que costumam manter o interesse mesmo diante de valores elevados.
A edição da Lederer é considerada o último grande retrato em escala total de Klimt a ir a leilão, segundo dirigentes da casa. O contexto histórico da peça é relevante: a obra se conecta com a Viena de fins do século XIX, marcada pela circulação de influências entre Bizantino, Asiático e Moderno Europeu.
A venda ocorreu em meio a uma recuperação recente no interesse por Klimt, impulsionado por leilões anteriores de obras como o retrato Adele Bloch-Bauer I, adquirido por investidores privados. Esse histórico de transações ajuda a explicar a escalada de preços em novos leilões.
A Sotheby’s destacou a participação de Helena Newman, presidente europeia da casa, na condução do negócio da Lederer e de outra peça histórica, o retrato Lady with a Fan, de 1917, que bateu recorde europeu em 2023. A comerciante observa a ligação entre a obra e a esfera social vienense da época.
O mercado de Klimt é marcado pela escassez de pinturas de grande porte, resultado de incêndios históricos e da própria produção limitada do artista. O consenso entre especialistas é de que a oferta é restrita e que as transações costumam ter impactos significativos no valor das obras subsequentes.
Além dos quadros, a venda incluiu duas estudos de desenho para Adele Bloch-Bauer I, que superaram estimativas, reforçando a apetência por peças associadas a provenance forte. Mesmo assim, os desenhos mantêm valores menores do que as pinturas, em média, segundo analistas.
A discussão sobre restituições de obras saqueadas durante a Segunda Guerra Mundial permanece relevante, com casos envolvendo Klimt. O registro histórico de propriedades e identidades de coleções influencia tanto a percepção pública quanto a eventual recuperação de obras.
No panorama global, a demanda por Klimt mantém um tom crescente entre coleções privadas e museus, com mercados dedicados em Nova York, Londres e outras capitais. A oferta continua a ser rara, elevando a importância de cada aquisição singular para o registro da carreira do artista.
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