- A Comissão Europeia propõe suspender temporariamente o regime de processamento interno de açúcar (IPR) para aliviar a pressão sobre os produtores da UE; não há data definida para o início.
- O IPR permite importação de açúcar com tarifa zero e sem limites, desde que seja processado em produtos alimentícios e reexportado; a suspensão buscaria reduzir o excesso de oferta e combater a queda de preços.
- Reação dividida: a associação de produtores de beterraba europeia (CIBE) apoia a suspensão, enquanto a indústria de açúcar e usuários afirmam que a medida aumentaria custos e prejudicaria a competitividade.
- Dados do arranjo mostraram alta recente: açúcar cru sob IPR na UE 2024/25 subiu 19%, para 587 mil toneladas (95% do Brasil); açúcar branco sob IPR subiu 5%, para 155 mil toneladas (Brasil representa 43%).
- O Brasil é o maior exportador mundial de açúcar, com 33,8 milhões de toneladas exportadas em 2025, e as importações da UE sob IPR representam volume relativamente pequeno frente ao total brasileiro.
A Comissão Europeia propõe suspender temporariamente as importações de açúcar isentas de tarifas para aliviar a pressão sobre os produtores da UE, que enfrentam queda de preços e maior concorrência. A medida envolve o regime de processamento interno (IPR), que permite importações com tarifa zero desde que o açúcar seja refinado e reexportado.
O anúncio foi feito pelo comissário europeu para Agricultura e Alimentação, Christophe Hansen, em postagem publicada na rede social X na noite de segunda-feira. A data exata de início da suspensão ainda não foi informada pelo governo europeu.
A suspensão visaria reduzir o impacto de um mercado de açúcar da UE já deprimido, segundo o representante da Comissão. A proposta coloca o IPR em foco como ferramenta de ajuste temporário, com avaliação de implementação futura.
Reações e dados da UE
A associação de produtores europeus de beterraba, a CIBE, apoiou a suspensão, afirmando que seria oportuna e necessária diante das dificuldades do setor. O grupo disse que a medida sinalizaria alívio para o mercado de açúcar na UE.
Entretanto, a indústria de fermentação de açúcar, as refinarias e grupos de usuários argumentam que a queda de preços decorre da superprodução de beterraba sacarina e pedem à Comissão que mantenha o IPR. Em comunicado conjunto, eles disseram que a suspensão elevaria custos e prejudicaria a competitividade.
Dados da UE mostram aumento das importações sob IPR no ano comercial 2024/25: açúcar bruto, 587 mil t (alta de 19%); 95% veio do Brasil. Já o açúcar branco sob IPR foi 155 mil t (alta de 5%), com 43% procedentes do Brasil, seguidos por Marrocos, Egito e Ucrânia.
Os produtores europeus também manifestaram preocupação com concorrência desleal e com o eventual efeito de um acordo com o Mercosul, que poderia ampliar quotas de açúcar. A discussão acontece em meio a tensões comerciais entre a UE e blocos sul-americanos.
O Brasil manteve posição de maior exportador global de açúcar, respondendo por 33,8 milhões de toneladas em 2025, segundo dados do governo. O país figura como fornecedora relevante, mas hoje representa parcela menor do volume total da UE do que o total brasileiro divulga.
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