- Estudo da Deloitte, baseado em 1.587 empresas familiares globalmente e 101 no Brasil, aponta que esse tipo de empresa representa cerca de vinte e dois por cento das companhias com receita anual superior a cem milhões de dólares.
- Até 2030, a receita global de empresas familiares deve crescer em torno de oitenta e quatro por cento, chegando a cerca de trinta trilhões de dólares, superando o crescimento das não familiares.
- Principais motores do crescimento: maior entendimento de mercado e produtos, eficiência na cadeia de suprimentos e desenvolvimento de executivos e equipes que atendem clientes.
- A sucessão é um tema central no Brasil, com obras de governança fortalecidas e planejamento mais frequente; ainda há desafios de transição entre gerações.
- Em termos de estratégias de funding, cerca de 12% das empresas familiares globais e 14% brasileiras consideram abrir capital, e 26% globais e 37% brasileiras planejam atrair investidores ou private equity nos próximos três a cinco anos.
A Deloitte aponta que empresas familiares estão se profissionalizando e ganhando espaço no cenário global, com planos que vão desde sucessão até parcerias estratégicas. O estudo é o primeiro da série Defining the Family Business e foi divulgado pela Bloomberg Línea no Brasil.
A pesquisa entrevistou 1.587 empresas familiares no mundo, incluindo 101 no Brasil, entre março e junho de 2025. O faturamento médio dessas companhias supera US$ 2,8 bilhões, com 30 executivos sêniores entre os respondentes. A projeção aponta crescimento robusto no longo prazo.
Globalmente, as empresas familiares representam 22% das companhias com receita anual superior a US$ 100 milhões. A expectativa é de alta de 84% na década até 2030, atingindo US$ 29 trilhões, superando o crescimento estimado de 59% para não familiares. O número de empresas familiares deve crescer 22%.
Panorama de mercado e riscos
O estudo aponta incertezas econômicas e geopolíticas como principal risco externo, citadas por 68% das empresas globais e 59% no Brasil. Tais cenários devem impactar investimentos e planos de expansão, com 70% das globais e 73% no Brasil acreditando em efeitos de tarifação.
Riscos adicionais citados no Brasil incluem ciberameaças (57%), custo de matérias-primas (56%) e velocidade do avanço tecnológico (56%). Os dados sugerem que ganhos de eficiência começam já na gestão de processos e da cadeia de suprimentos.
Sucessão e governança
No Brasil, 90% das empresas têm origem familiar e respondem por 75% do emprego e 65% do PIB. A sucessão é ponto recorrente, exigindo planejamento e diálogo entre gerações. O estudo destaca a importância de preparar herdeiros e manter o conhecimento do negócio ativo.
A governança corporativa é apontada como elemento crucial para geração de valor. Investimentos em governança podem ter retorno, apesar do custo adicional, segundo a Deloitte.
Caminhos de crescimento e investimento
Abertura de capital está no radar de 12% das empresas familiares globais e 14% das brasileiras. Entre 3 e 5 anos, 26% das globais e 37% das brasileiras planejam atrair investidores externos ou fundos de private equity.
Entre as estratégias de crescimento, 40% das globais e 43% das brasileiras ressaltam o investimento em tecnologia, incluindo IA, para melhorar eficiência, reduzir custos e expandir operações. A melhoria da logística e da gestão de estoques aparece como ganho relevante.
No Brasil, há foco em fortalecimento de marca e posicionamento estratégico (44%) e em parcerias estratégicas ou joint ventures (41%). Ao todo, 52% das brasileiras já utilizam esse modelo para acelerar o crescimento, acima da média global (42%).
Ações para consolidar o crescimento
As empresas familiares veem oportunidades significativas com a profissionalização, maior integração de cadeias de suprimentos e programas de desenvolvimento de executivos. O estudo sugere que a sucessão bem-sucedida depende da conexão entre fundadores e novas gerações, com abertura a novas ideias.
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