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Fed mantém juros inalterados conforme esperado, mas revela racha interno

Fed mantém juros estáveis e expõe racha interno, com viés mais hawkish para 2026 e dissidências entre membros

Jerome Powell, presidente do Federal Reserve
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  • O Federal Reserve manteve os juros na faixa de 3,5% a 3,75% ao ano, citando crescimento sólido e inflação ainda elevada.
  • A decisão não foi unânime: dois membros votaram pela redução de 0,25 ponto percentual, dando continuidade à pausa após três cortes.
  • O comitê disse que avaliará dados, perspectivas e riscos antes de novos ajustes, mantendo o objetivo de máximo emprego e inflação de 2%.
  • O dot plot sinaliza um caminho mais hawkish do que o esperado, com mediana para o fim de 2026 em 3,25%, sugerindo um ou dois cortes no ano.
  • O presidente Jerome Powell afirmou que o núcleo do índice de preços PCE ficou em cerca de 3% em dezembro, com inflação impulsionada pelos bens e desinflação nos serviços.

O Federal Reserve manteve os juros na faixa de 3,5% a 3,75% ao ano nesta quarta-feira, 28, após uma decisão não unânime. O banco central justificou a pausa em meio a sinais de crescimento econômico sólido, mercado de trabalho ainda frágil e inflação acima da meta.

O comitê reiterou que acompanhará dados futuros antes de ajustar a política. O comunicado aponta que a inflação permanece elevada, com o núcleo do PCE em 2,7% em 12 meses, acima da meta de 2%.

Além disso, o FOMC afirma que busca sustentar o emprego máximo e trazer a inflação de volta à meta de 2%. A decisão de pausa veio após três cortes consecutivos, com dois dissidentes favoráveis a um recuo de 25 pb.

Votos divergentes e cenários futuros

Para o economista André Valério, o voto dissidente de Chris Waller, cotado para substituir Powell, sinaliza possível afastamento político. Valério destaca também o voto de Steve Miran, ligado ao governo Trump, como relevante para o cenário.

Paula Zogbi, da Nomad, afirma que o dot plot aponta um Fed mais hawkish que o esperado, com a mediana para o fim de 2026 perto de 3,25%. Evoca baixo espaço para cortes expressivos no curto prazo.

Powell, em coletiva, citou o núcleo do PCE como indicador com leitura de 3% no fim do ano anterior. Ele atribuiu parte da inflação aos bens e às tarifas, comentando desinflação contínua em serviços.

Contexto político e desdobramentos

Desde o início do governo Trump, críticas à escolha de políticas do Fed aumentaram. Trump tem pressionado por cortes de juros para estimular crédito e consumo, gerando atrito com o presidente da instituição.

A relação entre Powell e o governo tem sido marcada por tensões públicas e questionamentos sobre independência do banco central. A coletiva não avançou em temas políticos, com Powell evitando críticas diretas ao governo.

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