- Natal fraco: queda de 3% nas vendas orgânicas da principal unidade de moda e artigos de couro da LVMH.
- Três das cinco divisões ficaram abaixo das estimativas; o presidente-executivo Bernard Arnault avisou que 2026 provavelmente não será fácil e que os gastos serão limitados.
- Ações da LVMH caíram até 8,2% no pregão de Paris, maior queda intradiária desde abril, com queda de cerca de 21% nos últimos 12 meses.
- Vendas orgânicas subiram 1% no quarto trimestre nos EUA e na região que inclui a China; Europa caiu 2% e Japão caiu 5%.
- O lucro operacional recorrente anual caiu 9,3% para € 17,8 bilhões; o segmento de vinhos e destilados resiste melhor, mas o grupo encerra o ano com fraco ritmo de recuperação.
A LVMH teve um Natal frustado e projeções contidas para 2026, segundo a Bloomberg. A empresa informou que as vendas orgânicas do quarto trimestre recuaram 3% na principal unidade de moda e artigos de couro, que inclui Louis Vuitton e Christian Dior. Três das cinco divisões ficaram abaixo das expectativas.
O tom do executivo não foi otimista: Bernard Arnault avisou que 2026 provavelmente não será fácil e que o grupo reduzirá gastos neste ano. Em Paris, as ações chegaram a cair até 8,2% no início do pregão, a maior queda intradiária desde abril.
Especialistas destacaram que o resultado rompeu ondas de recuperação observadas no setor. O desempenho fraco puxou o índice europeu para baixo, e as ações da LVMH caíram cerca de 21% nos últimos 12 meses, até o fechamento de terça-feira.
Desempenho e perspectiva
As vendas orgânicas cresceram apenas 1% no quarto trimestre, ajudadas por um desempenho melhor no segmento de relógios e joias, que compensou parte da fraqueza da moda e couro. A divisão de vinhos e destilados registrou queda pela terceira vez consecutiva, impactada pela demanda por conhaque Hennessy.
O lucro operacional recorrente anual ficou em € 17,8 bilhões, queda de 9,3% frente ao ano anterior, mas ficou acima das estimativas dos analistas. Analistas ressaltam que o comportamento do consumidor e fatores macro continuam a influenciar o desempenho.
O grupo destacou que a Bulgari foi um ponto positivo no período, e que o segmento de relógios e joias teve melhor desempenho do que o esperado. Mesmo assim, a avaliação é de que a recuperação do luxo permanece instável, com resultado fortemente dependente do cenário externo.
Movimentos estratégicos e outras informações
Em outra frente, a LVMH pagou € 1 bilhão para elevar sua participação na Loro Piana, de 85% para 94%, no segundo semestre de 2023. A marca é reconhecida pelos suéteres de cashmere.
Arnault afirmou que a participação familiar na LVMH deverá ultrapassar 50% em 2026, sinalizando intenção de maior controle estratégico do conglomerado. O cenário sugere um ano de transição para o grupo, segundo analistas.
Entre na conversa da comunidade