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PF apura ataques de influenciadores ao Banco Central

PF investiga possível ataque coordenado de influenciadores contra o Banco Central para contestar a liquidação do Banco Master

Edifício-sede do Banco Central, em Brasília. (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)
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  • A Polícia Federal abriu, nesta quarta-feira, um inquérito para apurar denúncias de influenciadores que teriam sido procurados por representantes do Banco Master para atacar o Banco Central após a liquidação decretada em novembro.
  • A investigação, autorizada pelo ministro Dias Toffoli, mira uma possível ação coordenada para descredibilizar o BC e tentar reverter a decisão.
  • Há indicações de que, pelo menos, 46 perfis foram acionados para defender o Master com a narrativa de erro técnico.
  • Contratos com influenciadores teriam chegado a R$ 2 milhões e continham cláusulas de confidencialidade, incluindo multa por quebra de sigilo.
  • A Federação Brasileira de Bancos também teria sido alvo da campanha; a entidade informou volume atípico de menções ao caso.

O Departamento de Polícia Federal abriu um inquérito nesta quarta-feira para apurar denúncias de que influenciadores teriam sido contatados por representantes do Banco Master para montar uma campanha contra o Banco Central. A investigação investiga se houve ação coordenada para descredibilizar o órgão regulador e tentar reverter a decisão de liquidação.

A liquidação do Banco Master ocorreu durante a primeira fase da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão do empresário Daniel Vorcaro e na investigação de membros da diretoria por supostas fraudes. Nesta semana, a Justiça iniciou depoimentos dos investigados no caso.

A autorização para o inquérito partiu do ministro Dias Toffoli, relator no STF. Uma análise preliminar de postagens levantou indícios de crimes e apontou a possibilidade de uma ofensiva organizada contra o Banco Central.

Aprofundamento

Produtores de conteúdo afirmaram ter sido procurados para divulgar a tese de que a liquidação teria sido precipitada. A PF apura se ao menos 46 perfis foram acionados para sustentar que houve erro técnico e pressionar instituições de controle.

Segundo fontes, uma agência ligada a campanhas do banco estaria por trás dos contatos. O plano incluía vídeos para sustentar decisões judiciais favoráveis ao Master e questionar a atuação da autoridade monetária.

A divulgação veio à tona após relatos de influenciadores de direita, como Rony Gabriel e Juliana Moreira Leite, sobre propostas para defender o Master nas redes. O caso ficou conhecido como Projeto DV, em referência às iniciais de Vorcaro.

Um levantamento do jornal O Globo indicou contratos com influenciadores que teriam chegado a cerca de 2 milhões de reais e continham cláusulas de confidencialidade. Um documento previa multa de 800 mil por quebra de sigilo.

As denúncias indicam que as peças buscavam influenciar a opinião pública ao sugerir articulações entre esquerda e Centrão para reverter decisões. O TCU já descartou qualquer possibilidade de reversão institucional pela via administrativa.

Além do BC, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) também foi alvo de menções no material investigado. A entidade confirmou volume atípico de relatos e afirmou avaliar, internamente, se houve ataque coordenado.

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