- Setor britânico de alimentos pede período de transição para realinhar as regras agrícolas pós-Brexit com a UE, evitando um “cliff edge”.
- Alinhamento regulatório repentino poderia custar entre £ 500 milhões e £ 810 milhões por ano às empresas do país, segundo Croplife e NFU.
- NFU alerta que aveias usadas em cereais, barras de snacks, almôndegas e hambúrgueres vegetarianos poderiam tornar-se inconciliáveis com o mercado da UE, devido a pesticidas não aprovados pela UE.
- Parlamentares apontam aumento de burocracia no Brexit, com impacto de £ 8,4 bilhões e queda de 18% no comércio de bens, e 24% no setor de alimentos e bebidas, nos últimos cinco anos.
- Autoridades britânicas e da UE iniciaram negociações técnicas sobre um acordo sanitário e fitossanitário (SPS); especialistas defendem implementação gradual do realinhamento, pelo menos um ano, ou mais.
O setor de alimentos do Reino Unido pediu ao governo que estabeleça um período de transição caso haja um realinhamento das regras agrícolas com a União Europeia após o Brexit. A ideia é evitar um salto súbito de padrões regulatórios.
Representantes do setor advertiram que alinhar as normas de uma vez pode gerar um “salto abrupto” que custaria entre 500 milhões e 810 milhões de libras por ano às empresas britânicas, devido à divergência desde o fim do Brexit. A estimativa é de especialistas da área.
David Bench, CEO da Croplife, que reúne o setor de agroquímicos, reforçou que a ausência de um período de transição pode trazer impactos danosos para a indústria. A cobrança ocorre dias após o presidente da NFU alertar sobre riscos de mercadorias britânicas não serem aceitas pela UE.
O que envolve o SPS e o Brexit
O objetivo do reset EUA-UE é reduzir barreiras e facilitar exportações, além de reduzir preços ao consumidor. A Comissão Europeia e o governo do Reino Unido iniciaram conversas técnicas sobre um acordo sanitário e fitossanitário, com foco em simplificar a burocracia de ambos os lados.
Se um acordo SPS entrar em vigor em 1º de janeiro de 2027, plantas cultivadas em 2026 sob regras britânicas podem se tornar não vendáveis na UE, segundo a NFU. As discussões em Londres, na semana passada, visam justamente eliminar parte da papelada pós-Brexit.
A indústria aponta que o custo regulatório já é alto e que as negociações enfrentam entraves de engajamento. Um porta-voz do setor destacou preocupações com o ritmo das conversas e a necessidade de participação mais ampla.
Impactos e próximos passos
Um estudo encomendado pela Croplife aponta que, embora o Reino Unido tenha mantido padrões técnicos equivalentes após a saída, decisões sobre proteção de plantas continuam divergentes. Na prática, Reino Unido aprovou pesticidas ainda em avaliação pela UE.
A NFU ressalta que, sem transição, produtos como aveia britânica usados em cereais e lanches podem ficar indisponíveis na UE. Em meio a tensões, indústria e governo negociam para reduzir obstáculos ao comércio bilateral.
A expectativa é que qualquer realinhamento seja implementado de forma gradual, conforme defendem Croplife e NFU. A ideia é evitar impactos abruptos na rentabilidade de produtores e na disponibilidade de produtos no varejo.
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