- O Banco Central abriu uma apuração interna para apurar falhas na fiscalização e no processo que levou à liquidação do Banco Master, sob sigilo na corregedoria desde o fim do ano passado, segundo fontes.
- A investigação foi determinada pelo presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, e busca esclarecer se houve erros técnicos ou institucionais antes da intervenção, sem apontar culpados de imediato.
- Saíram da área de fiscalização dois operadores-chave: Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana; não há acusações formais até o momento, e o BC afirma que mudanças em cargos comissionados são normais na administração pública.
- Paulo Sérgio Neves de Souza, servidor de carreira, teve papel na autorização da compra do antigo Banco Máxima por Vorcaro, operação que gerou o Banco Master; Belline Santana era chefe do Departamento de Supervisão Bancária e assinou despachos ao Ministério Público relacionados ao Master.
- O Banco Master cresceu de 3,7 bilhões de reais em ativos em 2019 para 82 bilhões em 2024; a liquidação ocorreu em 18 de novembro de 2025, com venda de carteiras a serem investigadas e ajuste de operações envolvendo o BRB, que nega irregularidades.
O Banco Central abriu uma investigação interna para apurar falhas na fiscalização e no processo que levou à liquidação do Banco Master, controlador por Daniel Vorcaro. A apuração, determinada pelo presidente Gabriel Galípolo, tramita em sigilo na corregedoria desde o fim de 2025.
As apurações, divulgadas pelo jornalismo nesta semana, buscam esclarecer se houve erros técnicos ou institucionais na atuação do BC antes da intervenção. Fontes internas dizem que o objetivo não é apontar culpados de imediato, mas entender falhas para corrigir procedimentos.
A saída de dois responsáveis pela área de fiscalização é considerada relevante: Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, que comandavam o Departamento de Supervisão Bancária. Ainda não há acusações formais contra eles, e o BC afirma que mudanças de cargos são comuns na administração pública.
Paulo Sérgio Neves de Souza chegou a autorizar a compra do Banco Máxima por Vorcaro, operação que resultou na criação do Banco Master. Ele também acompanhou a atuação regulatória do sistema financeiro nos últimos anos. Belline Santana era chefe do departamento e assinou expedientes enviados ao Ministério Público relacionados ao Master.
Entre os documentos, um foi usado pela defesa de Vorcaro para sustentar a inexistência de irregularidades, segundo o que consta de depoimentos. Um trecho aponta que uma operação com carteira de crédito suspeita foi desfeita no início de 2025 e que o BC não identificou irregularidades em transações de crédito consignado do Master.
O Banco Master cresceu ao oferecer CDBs com rendimentos acima da média, chegando a prometer até 140% do CDI em algumas ofertas. O crescimento levou a ativos de R$ 82 bilhões em 2024, frente a R$ 3,7 bilhões no fim de 2019. Com o desgaste, o BC intensificou a fiscalização em 2024.
Durante a crise, Vorcaro negocia a venda da instituição ao BRB, que já vinha adquirindo carteiras de crédito. A liquidação do Master ocorreu em 18 de novembro de 2025, com afastamento dos administradores e bloqueio de bens para credores. Nesse mesmo dia, a PF abriu investigação sobre fraudes na negociação de carteiras de crédito de R$ 12,2 bilhões envolvendo o BRB.
Ambas as instituições, Master e BRB, negam irregularidades e afirmam que as carteiras questionadas foram substituídas, colaborando com as autoridades para esclarecer os fatos. O BC não comentou oficialmente sobre a investigação interna em curso.
Entre na conversa da comunidade