- Copom manteve a Selic em 15% ao ano pela quinta reunião consecutiva, divulgando ontem.
- O grupo sinalizou que um corte virá na próxima reunião, caso não haja pressões contrárias ao plano de ação.
- O mercado reagiu de forma positiva, com queda da curva de juros de curto prazo e recordes na bolsa; o Focus projeta 12,15% ao fim do ano.
- Entre as projeções, Itaú BBA espera corte de 25 pontos-base na próxima reunião e XP Investimentos aposta em início de cortes em março, totalizando cinco quedas para 12,50%.
- Análises de ASA, Daycoval e Sicredi destacam cautela sobre o ritmo dos cortes e a visão de longo prazo para a inflação, com cenários para 2026 variando entre 12,5% e 12,75%.
O Copom, Comitê de Política Econômica do Banco Central, manteve a taxa Selic em 15% ao ano pela quinta reunião consecutiva, nesta segunda-feira (28). O anúncio era visto como amplamente previsto pelo mercado, mas chamou a atenção pela mudança de tom do colegiado, liderado por Gabriel Galípolo. A instituição sinalizou que, com a inflação ainda próxima do teto da meta, há espaço para um corte na próxima reunião, desde que não haja novas pressões contrárias ao plano de ação.
A divulgação ocorreu em meio a avaliações de que o câmbio pode ajudar a conter pressões inflacionárias e a inflação esteja se acomodando. O mercado reagiu de forma positiva, com queda na curva de juros de curto prazo e renovação de recordes na bolsa. O Focus, boletim semanal do BC, projetou 12,15% de Selic ao fim deste ano, cenário que acompanhou a repercussão da decisão.
A ata da reunião deve trazer mais detalhes sobre o racional da estratégia, e análises mais aprofundadas deverão surgir para sustentar a leitura de messages de governança do Copom. Enquanto parte do mercado celebra, outras instituições indicam dúvidas sobre se a sinalização prévia pode atrapalhar a reancoragem das expectativas de inflação.
Itaú BBA
A leitura do banco é de que o Copom flexibilizou mantendo o objetivo de convergência à meta com restrição adequada. O comitê pode manter serenidade quanto ao ritmo do ciclo, dependendo da confiança na convergência. O Itaú BBA espera um corte de 25 pontos-base na próxima reunião e aguarda a ata para reavaliar a projeção. Caso não haja mudança significativa, a instituição não antecipa um ciclo muito superior a 225 pb neste ano, estimando a Selic em 12,75% ao ano.
XP Investimentos
A XP aponta que iniciar cortes em março está alinhado ao cumprimento da meta de inflação no horizonte relevante. A instituição considera a decisão próxima do esperado e projeta cinco quedas consecutivas de 0,50 pp, levando a Selic a 12,50%. Em termos reais, a taxa ficaria em cerca de 8,0%, ainda acima da taxa neutra, diante dos desafios fiscais esperados para o próximo mandato.
ASA
A ASA observa surpresa positiva na indicação do início do ciclo de cortes para a próxima reunião, com tom ainda cauteloso. Prevê um corte inicial de 25 pb em março, com possibilidade de 50 pb caso os dados de inflação e atividade confirmem a trajetória. Para o fim de 2026, a projeção é de Selic em 12,5%, mantendo o tom cauteloso vigente.
Banco Daycoval
O Daycoval aponta que o sinal de início do ciclo em março já era base, mas ressalva que sinalização prévia em cenário de alta incerteza pode prejudicar a reancoragem de expectativas. O banco destaca que reduzir o ciclo por etapas pode ser mais adequado, dada a inflação ainda elevada em serviços e a continuidade de pressões no mercado de trabalho.
Sicredi
Para o Sicredi, a sinalização de cortes para a próxima reunião surpreende, porém em tom de calibração, não de estímulo agressivo. A instituição aposta em um início de cortes de 0,25 ponto percentual, com possibilidade de 0,50 p.p. dependendo das condições. O Sicredi estima Selic em 12,50% ao final de 2026, alinhado ao tom conservador adotado pelo Copom.
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