- A Ligga Telecom retirou cerca de R$ 350 milhões de caixa para aplicações financeiras sem liquidez diária, com parte em cédulas de crédito bancário do Banco Master.
- A operação ocorreu após a diretoria deliberar sobre as CCBs, sem passar pelo Conselho de Administração, e consta de demonstrativos de 2022; a liquidação ocorreu no contexto de empréstimos ao Master.
- A Moody’s rebaixou, em dezembro de 2025, o rating da Ligga de BBB.br para BB-.br com perspectiva negativa, citando opacidade de informações nos demonstrativos financeiros.
- A agência aponta risco elevado de refinanciamento e baixa visibilidade sobre a liquidez dessas aplicações, que não estão totalmente disponíveis para cobrir dívidas.
- A Polícia Federal investiga possível relação de Nelson Tanure com o Banco Master, incluindo atuação de fundos e estruturas societárias, enquanto a Ligga negocia possível venda e já desfez o uso do espectro 5G no Paraná.
A Ligga Telecom, controlada por Nelson Tanure, retirou cerca de R$ 350 milhões do caixa para aplicações sem liquidez diária. Parte desses recursos foi aplicada em CCBs do Banco Master, liquidado pelo BC em novembro. Não há confirmação pública sobre o montante em títulos.
A Moody’s rebaixou o rating da Ligga em dezembro de 2025, de BBB.br para BB-.br, com perspectiva negativa. A agência cita opacidade nos demonstrativos e preocupação com a liquidez, indicando possível necessidade de refinanciamento.
Segundo demonstrativos, a Ligga tinha R$ 2,3 milhões em caixa corrente e R$ 16,9 milhões em aplicações com liquidez diária em setembro do ano passado. Havia R$ 388,6 milhões em “aplicações financeiras” nesse mesmo período.
Um relatório da Moody’s aponta baixo grau de visibilidade sobre a liquidez dessas aplicações. A agência afirma que o saldo não está totalmente disponível para cobrir dívidas, elevando o risco de refinanciamento.
A PF investiga possível uso de estruturas de fundos ligadas a Tanure para capitalizar o Master ou absorver créditos de difícil recuperação. Em 14 de novembro, Tanure foi alvo da 2ª fase da Operação Compliance Zero, com apreensão de celular no Galeão.
A investigação também sugere que Tanure poderia ser “sócio oculto” do banco de Daniel Vorcaro, ex-dono do Master. A operação envolve estruturas complexas para influenciar a instituição.
A Ligga, empresa de capital aberto classificada na categoria B pela CVM, abriu capital em 2022 e substituiu a Copel Telecom. Em 2021, Tanure comprou a Copel Telecom por R$ 2,4 bilhões via Bordeaux Participações.
Entre 2021 e 2022, a Ligga teve queda de caixa e aumento de aplicações ilíquidas. Em outubro de 2022 houve reclassificação de investimentos para aplicações financeiras, sem liquidez diária, conforme linha de referência da CVM.
A PF aponta que CCBs são títulos de crédito e podem não ser cobertos pelo FGC. Em agosto de 2021, a Ligga já havia emitido debêntures. Em 2025, o saldo de aplicações com rendimento superior ao CDI somava quase R$ 389 milhões.
Em novembro, o Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo BC. A situação de CCBs não cobertas pelo FGC aumenta o risco para credores, inclusive para a Ligga, caso haja inadimplência financeira.
A Ligga está em negociação para venda. Rumores apontam a Brasil Tecpar como potencial interessada, conforme reportado pelo Pipeline. A empresa confirmou tratativas preliminares não vinculantes.
Na última semana, a Ligga também abriu mão da autorização de uso do espectro 5G no Paraná, vendido em 2018 ao lado da Unifique por R$ 20 milhões. A operação visa redirecionar recursos para novas frentes.
Tanure afirmou, por meio de notas, que sua relação com o Master foi apenas como cliente, sem participação societária. A defesa nega envolvimento em irregularidades e segue aguardando esclarecimentos oficiais.
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