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Café sob pressão e soja em abundância: perspectivas para 2026

Soja em excesso mundial liderada pelo Brasil e café sob pressão, 2026 tem oferta em recomposição e volatilidade climática, regulatória e de demanda

Preços do café continuam pressionados pela expectativa de melhora na oferta global (Foto: Victor Moriyama/Bloomberg)
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  • O desempenho de 2026 para as commodities dependerá da transição entre El Niño e La Niña, das políticas de biocombustíveis dos EUA e de ajustes entre China e Estados Unidos, com a oferta global se recompondo de forma desigual.
  • O café continua sob pressão por melhora da oferta mundial; o Citi projeta queda dos preços para cerca de US$ 3,60 por libra no curto prazo e US$ 3,00 nos próximos 12 meses.
  • O cacau deve manter preços elevados em 2026, segundo analistas, diante de volatilidade climática, menor investimento e regulamentação mais rígida que afetam oferta e rentabilidade.
  • A soja enfrenta excesso de oferta, liderado pelo Brasil, com estoques finais dos EUA estimados em 350 milhões de bushels para 2025/26; Argentina registra recuperação de produção, pressionando preços.
  • O milho americano atinge volume recorde em 2025/26, com expectativa de contração de produção em 2026/27 e possível suporte aos preços; o trigo deve se manter em equilíbrio, com estoques globais confortáveis.

O preço do café permanece sob pressão diante de uma oferta global mais robusta, enquanto a soja mostra excesso de oferta guiado pelo Brasil. Em 2026, analistas veem recuperação de oferta com riscos climáticos e regulatórios persistentes. O cenário inclui transição entre El Niño e La Niña e mudanças em políticas de biocombustíveis.

Especialistas consideram que o quadro global tende a recompor a oferta, mas com impactos variados por commodity. Bancos, consultorias e a Bloomberg Intelligence ressaltam que, apesar de macroeconômico mais estável, fatores climáticos, financeiros e regulatórios seguem relevantes para o preço.

Os fundos de investimento mantêm postura defensiva nas commodities agrícolas, diante de sinais contraditórios de consumo e correções de preços após máximas recentes. A leitura geral aponta ajustes importantes na oferta mundial em 2026.

Ajuste de preços

O café deve seguir pressionado pela melhora esperada na oferta. O Citi projeta queda, com preço próximo de US$ 3,60 a libra no curto prazo e US$ 3,00 nos próximos 12 meses, após a redução de tarifas dos EUA sobre café brasileiro e vietnamita.

Para o cacau, analistas projetam manutenção de valores elevados em 2026, apesar da alta de 2024. A volatilidade climática, investimentos baixos e regulação mais rígida devem moldar oferta, preços e rentabilidade, segundo a Bloomberg Intelligence.

O Citi revisou suas estimativas de baixo para o café, ainda que espere estabilização futura. O banco aponta suporte em torno de US$ 5.000 por tonelada para o cacau, dentro de um intervalo possível em 2026. O ING projeta média de US$ 4.800 por tonelada para o mesmo ano.

O açúcar registra recuo desde 2023. O Citi aponta média de US$ 0,17 por libra em 2026, com leve recuperação. O ING aponta superávit impulsionado por exportações recordes do Brasil e recuperação da Índia, com possibilidade de força de preços no primeiro trimestre de 2026.

Oferta global e custos

A soja enfrenta excedente global, com liderança do Brasil, diante de demanda interna e política energética nos EUA. O USDA revisa estoques finais dos EUA para 2025/26 em 350 milhões de bushels, 60 milhões acima da previsão anterior, refletindo menor demanda externa.

A produção brasileira de soja atinge recorde de 178 milhões de toneladas, fortalecendo a posição do Brasil nas exportações. O USDA reduz a previsão de exportações americanas, elevando estoques para o ciclo 2025/26. O preço médio projete é ajustado para baixo.

A Argentina contribui para o aumento da oferta global de soja desde 2025, ampliando o volume exportável. A reação ocorre em um cenário com safra recorde no Brasil, influenciando os preços internacionais.

No milho, os EUA registram produção recorde em 2025/26, acima de 425 milhões de toneladas. A expectativa é de contração de 7% em 2026/27, com déficit global estimado em 39 milhões de toneladas, o que pode sustentar os preços.

O trigo tende a permanecer estável, com estoques globais em 271 milhões de toneladas no fim de 2025/26. O ING aponta preço médio de US$ 6,30 por bushel em 2026, com leve queda de produção em grandes regiões, sem desbalancear o mercado.

Sinais contraditórios

No setor pecuário, a produção de carne bovina em 2026 é estimada em 25,735 milhões de libras, queda de 1% em relação a 2025. A queda nos bovinos comercializados é parcialmente compensada pelo peso maior das carcaças.

Os preços da carne bovina devem subir, levando a média anual de US$ 235,75 por cwt em 2026, alta de 5%. Para novilhos de engorda, a projeção é US$ 357 por cwt, aumento de 11% frente ao ano anterior, puxado pela escassez de ofertas para abate e pela recuperação de exportações para o México.

A carne suína pode apresentar alta de oferta, com produção de 28,2 bilhões de libras em 2026. Os preços devem recuar, com média de US$ 66,75 por 100 libras, queda esperada de quase 3%. A tendência geral acompanha a recuperação da demanda interna e das exportações.

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