- Na edição brasileira da 29ª CEO Survey da PwC, CEOs do agronegócio já vinculam IA a aumento de receita ou redução de custos, com 33% apontando elevação de receita e outros 33% identificando ganhos de eficiência que reduziram custos.
- Apesar dos avanços, 58% afirmam que a IA ainda não alterou significativamente receitas ou custos, indicando estágios iniciais de implementação e organização de dados. Apenas 5% associaram IA a impacto negativo na receita.
- Metade dos CEOs do setor diz que suas empresas passaram a competir em novos mercados nos últimos cinco anos, com a tecnologia impulsionando essa diversificação, destacando o setor sucroenergético como exemplo de evolução para cogeração de energia, biometano e outros produtos.
- Em termos de organização do trabalho, 60% esperam reduzir a demanda por profissionais de início de carreira nos próximos três anos, enquanto 23% projetam aumento de contratações, principalmente para funções mais qualificadas.
- Mesmo num cenário de custos elevados, 63% veem a inovação como componente crítico do negócio, com práticas de parceria com startups, fornecedores e universidades; ainda assim apenas 18% se dizem dispostos a alto risco em inovação e 15% possuem estruturas formais de inovação.
Nos últimos anos, o agro brasileiro passou de experimento a espaço de decisão estratégica. A inteligência artificial chegou às pautas de gestão, refletindo impacto direto em receita, custos e organização do trabalho, segundo a 29ª CEO Survey da PwC, com participação de 4.400 líderes em 95 países.
No recorte brasileiro, 33% dos CEOs afirmaram que IA já elevou a receita e outros 33% apontaram redução de custos operacionais. O país é o único a fazer esse recorte específico, dada a importância do setor para a economia e a integração de toda a cadeia, do campo à mesa.
Impacto no resultado
A adoção de IA ocorre em um momento de menor folga de margens. Embora haja avanços, 58% dos CEOs dizem que a tecnologia ainda não alterou significativamente receitas ou custos, por fases iniciais de implementação, dados mal estruturados e ajustes de processos.
Metade dos entrevistados compara a diversificação com uma mudança de mercado nos últimos cinco anos, apoiada pela IA. O setor sucroenergético, por exemplo, expandiu de açúcar e etanol para cogeração de energia, biometano, fertilizantes a partir de vinhaça e leveduras, abrindo novos caminhos de negócio.
Transformação do portfólio e parcerias
A IA também amplia a conexão com setores como energia, serviços financeiros e consumo, exigindo novos fluxos de capital e governança mais complexa. A PwC considera esse movimento estrutural para reposicionar o agronegócio brasileiro na economia e ampliar fontes de receita.
Organização do trabalho
A transformação afeta a força de trabalho. Dados indicam que 60% dos CEOs esperam reduzir a necessidade de profissionais em início de carreira nos próximos três anos, com recorte de cortes acima de 16% para um terço desses gestores. Por outro lado, 23% preveem aumento de contratações, principalmente em funções qualificadas.
Mayra Theis, líder de agribusiness da PwC Brasil, aponta que funções operacionais tendem a encolher, enquanto há maior demanda por quem interpreta dados, toma decisões e integra tecnologia ao negócio.
Cenário econômico e confiança
Em meio a custos elevados, a confiança no crescimento de receita nos próximos 12 meses caiu de 48% para 38%. O otimismo em três anos também recuou, de 66% para 55%, acompanhando a desaceleração de preços em commodities.
O risco inflacionário preocupa 35% dos entrevistados, mais do que a média global. Mudanças climáticas e instabilidade macroeconômica aparecem entre as principais preocupações, citadas por 33%.
Inovação, riscos e governança
Mesmo diante de um ambiente desafiador, 63% veem a inovação como componente crítico do negócio, com prática constante de colaboração com startups, fornecedores e universidades. Ainda assim, apenas 18% aceitam alto risco em projetos de inovação, e 15% das empresas contam com centros formais de inovação ou corporate venturing.
Entre na conversa da comunidade