- Grandes traders de soja no Brasil anunciaram, em janeiro, que vão abandonar o Acordo de Moratória da Soja, que proibia soja de áreas desmatadas após 2008.
- A saída pode provocar aumento de até 30% do desmatamento na Amazônia até 2045, segundo o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM).
- A decisão ocorreu após uma nova lei no estado de Mato Grosso, que permite suspender benefícios fiscais para empresas que adotem critérios ambientais além dos exigidos pela lei.
- Abiove, associação que representa produtores como Cargill, Bunge, Amaggi e ADM, afirma que seguirá com a monitoria e acesso ao mercado externo, mesmo com a moratória encerrada.
- O Anec, associação de exportadores, ainda sustenta o acordo; a situação depende do Supremo Tribunal Federal e de pressões internacionais por soja livre de desmatamento.
O que aconteceu: grandes traders de soja anunciaram a saída do Acordo de Moratória da Soja, marco de 20 anos de combate à Amazônia. A Abiove comunicou, em 5 de janeiro, a retirada do compromisso voluntário de não comprar soja de áreas desmatadas após 2008. A medida aumenta a pressão sobre a floresta amazônica.
Quem está envolvido: a Abiove representa tradings como Cargill, Bunge, Amaggi e ADM. Além disso, o WWF-Brasil, IPAM e Greenpeace acompanhavam o acordo como signatários. A decisão envolve o setor privado de uma das maiores regiões produtoras do planeta. A moratória era vista como proteção à imagem internacional do agronegócio brasileiro.
Quando e onde: o anúncio ocorreu no Brasil, em 5 de janeiro, em meio a avanços legais no estado de Mato Grosso. A nova lei estadual, vigente desde 1º de janeiro, permite suspender benefícios fiscais a empresas que adotam critérios ambientais além dos exigidos pela lei. A mudança ocorre no mais importante estado produtor de soja do país.
Por quê: Abiove alegou buscar segurança jurídica para manter o acesso internacional aos soyais e derivados. O governo de Mato Grosso e entidades locais defendem que acordos privados não podem sobrepor a legislação nacional. Ambientalistas afirmam que a saída pode abrir áreas recentemente desmatadas para cultivo.
Implicações e desdobramentos
A saída acelera incertezas sobre o uso de áreas já desmatadas. Pesquisadores estimam que a desflorestação na Amazônia pode subir até 30% até 2045 sem o acordo. O impacto no preço de terras e no incentivo a grilagem também é destacado por especialistas.
A adoção de padrões de mercado pode ficar mais cara para compradores internacionais, com exigências de rastreabilidade e regras de sustentabilidade. A União Europeia prepara regras de produtos livres de desmatamento que entram em vigor em 2026, ampliando pressões sobre o setor.
O acordo ainda não falleceu completamente. Anec, associada de exportação de grãos, sustenta que o tema é objeto de estudo no Supremo. Cargill, Amaggi e ADM permanecem em pelo menos um dos grupos de representação, reforçando o cenário de dualidade entre normativas públicas e acordos privados.
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