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Family offices priorizam IA, mas peso no portfólio permanece limitado

Apesar de 65% priorizarem IA, 57% não investem em venture capital nem capital de crescimento; 79% não têm alocação em infraestrutura, revelando portfólios conservadores

Estudo do J.P. Morgan Private Bank ouviu 333 family offices globais, responsáveis por cerca de US$ 518 bilhões em patrimônio combinado (Foto: Michael Nagle/Bloomberg)
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  • 65% dos family offices pretendem priorizar investimentos ligados à IA, mas 57% não têm alocação em growth equity/venture capital e 79% não investem em infraestrutura de IA.
  • Na prática, os portfólios seguem mais alinhados a ativos tradicionais: em média 38,4% em ações listadas e 30,8% em investimentos privados.
  • Renda fixa responde por 14,8% do patrimônio e caixa, 7,8%, mantendo liquidez elevada diante de juros altos.
  • Na América Latina, há foco na preservação de capital, com 54 escritórios da região entre os 136 fora dos Estados Unidos; os EUA concentram 197 escritórios.
  • Ouro e cripto representam peso mínimo: 72% não investem em ouro e 89% não investem em criptoativos; quando presentes, ouro fica em 0,9% do portfólio e cripto em 0,4%.

A maioria dos family offices globais ainda não destinou parte significativa de seus portfólios a venture capital ou a infraestrutura em IA, aponta o estudo 2026 Global Family Office Report do J.P. Morgan Private Bank. A pesquisa ouviu 333 offices em 30 países, somando cerca de US$ 518 bilhões em patrimônio.

Apesar do otimismo com IA, 65% dos offices pretendem priorizar investimentos no campo da inteligência artificial, conforme o levantamento. Em contrapartida, 57% não possuem alocação em growth equity ou venture capital.

A infraestrutura, considerada a espinha dorsal da IA, recebe atenção menor: 79% não investem nesse segmento. O estudo ressalta o desalinhamento entre o interesse declarado e a prática de alocação em áreas-chave.

Entre as prioridades citadas, IA aparece à frente de inovação em saúde (50%), infraestrutura (41%) e cibersegurança (34%). No entanto, os portfólios permanecem centrados em classes de ativos tradicionais.

Em média, 38,4% do patrimônio está em ações listadas e 30,8% em investimentos privados. Juntas, essas categorias respondem por mais de dois terços dos ativos sob gestão.

A renda fixa representa 14,8% do patrimônio e a liquidez em caixa fica em 7,8%, em meio a um ciclo de juros elevados que mantém parte dos offices com maior reserva de caixa.

Cenário na América Latina

Na América Latina, a prioridade é a preservação de capital, com maior concentração em renda fixa, conforme Natacha Minniti, co-head global da prática de family office no JP Morgan Private Bank. Do total, 54 offices estão na região.

A pesquisa aponta 197 offices nos Estados Unidos e 136 em outras regiões, incluindo 54 na América Latina. Minniti afirma que volatilidade macroeconômica e mudanças regulatórias incentivam estratégias resilientes com oportunidades de crescimento pontuais.

O estudo aponta que o porte médio de uma family office participante é de US$ 1,6 bilhão, com patrimônio médio por escritório em US$ 1,16 bilhão. No universo de investimentos privados, private equity tem alocação média de 9,8%.

Real estate fica em 7,4% e controle em empresas de capital fechado em 6,1%. Fundos multimercados aparecem com cerca de 4,7%, considerados instrumentos de diversificação.

Setores de alta atenção do noticiário recebem pouca participação: 72% não têm exposição a ouro e 89% não investem em criptoativos. Quando presentes, ouro soma 0,9% do portfólio e criptoativos 0,4%.

Geograficamente, os EUA mantêm a dominância na renda variável, com ações de large caps representando a maior parte dos investimentos. Fora dos EUA, mercados desenvolvidos da Europa e do Reino Unido aparecem como destinos relevantes.

Cerca de um terço dos offices planeja aumentar a exposição nesses mercados nos próximos 12 a 18 meses, puxados por temas como defesa, energia e infraestrutura. A participação em mercados emergentes é mais restrita.

Riscos e estratégias

Quando questionados sobre riscos, a geopolítica é citada como principal fator por cerca de 60% dos offices. Inflação aparece em torno de 60% como segundo grande risco, levando a busca por ativos alternativos.

A alocação média em ativos alternativos entre quem vê a inflação como risco supera 60%, acima da média global, sinalizando preferência por private equity, crédito privado e real estate. Ouro e cripto aparecem como proteção menos frequente.

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