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Sócio minoritário aponta falhas na condução da Ligga Telecom por Nelson Tanure

Sócio minoritário aponta fatos graves na gestão da Ligga Telecom por Nelson Tanure, com destinação de mais de R$ 1 bilhão e falta de transparência na venda

Sede da Ligga Telecom, em Curitiba: sócio minoritário diz ter havido "desastrosa condução dos negócios" da empresa controlada por Nelson Tanure (Foto: Google Maps)
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  • Agnaldo Bastos Lima, sócio minoritário da Ligga Telecom, afirma haver “fatos graves” que, em tese, mostram condução desastrosa dos negócios por Nelson Tanure, investigado pela PF.
  • Notificação extrajudicial enviada à Ligga e à BP Participações, pela SR22 Administradora de Bens e Participações, aponta a necessidade de esclarecer fatos para interessados na aquisição e para o público.
  • O documento questiona o uso de debêntures superiores a R$ 1 bilhão, sugerindo que parte dos recursos não foi investida em infraestrutura, o que configuraria desvio de finalidade e afetaria investidores e o Fisco.
  • Ainda segundo a nota, mesmo com captação alta, a Ligga enfrentou inadimplência com fornecedores e caixa estrangulado, enquanto mais de R$ 400 milhões teriam ido para o Banco Master, hoje considerado irrecuperável.
  • Lima diz não ter recebido informações sobre a venda da Ligga, acusa violação do acordo de acionistas e fixa prazo de cinco dias para resposta, deixando a possibilidade de medidas judiciais ou regulatórias.

Agnaldo Bastos Lima, sócio minoritário da Ligga Telecom, afirma que existem “fatos graves” que indicam condução desastrosa dos negócios por Nelson Tanure, empresário investigado pela Operação Compliance Zero da PF. Lima aponta ligação com Daniel Vorcaro, ex-dono do extinto Banco Master.

O conteúdo consta de notificação extrajudicial enviada à Ligga e à BP Participações S.A., controladora da operadora com 95,87% das ações. A SR22 Administradora, que detém 4,13% e tem Lima como único acionista, afirma a existência de irregularidades relevantes.

A Ligga substituiu Copel Telecom, adquirida pela BP em 2020, por meio do Bordeaux Participações. Lima recebeu 4,12% em 2022, ao participar da aquisição da Nova Fibra Telecom S.A., de sua propriedade.

Destinação de recursos questionada

A notificação levanta dúvidas sobre o destino de mais de R$ 1 bilhão em debêntures incentivadas emitidas pela Ligga. Indica indícios de que parte do dinheiro não foi investida em infraestrutura, como justificar o incentivo fiscal.

Além disso, aponta que parcela relevante foi aplicada no Banco Master, liquidado pelo BC, beneficiando também a BP Participações. Caso confirmado, haveria desvio de finalidade e impacto para investidores e para o Fisco.

Investimentos no Master e situação de caixa

O documento afirma que, mesmo com inadimplência de fornecedores e caixa “estrangulado”, mais de R$ 400 milhões teriam ido para aplicações no Master, hoje irrecuperáveis. A Gazeta do Povo mostrou recursos do caixa da Ligga aplicados em CCBs da instituição.

A notificação ressalta o risco de prejuízos aos interesses da empresa e de terceiros, caso as informações se confirmem, especialmente diante de relatos na mídia sobre a relação entre Tanure e o Master.

Violação de acordo de acionistas e transparência

Lima alega violação de acordo por falta de transparência na negociação de venda da Ligga. Segundo ele, não houve acesso a data room, relatórios ou pareceres técnicos, e o processo não seguiu mecanismos de solução de divergências.

A cláusula que regula o acordo prevê um prazo de 30 dias para resolver impasses. Sem acordo, a SR22 poderia se retirar da companhia com direito de preferência da BP.

Prazo e perspectivas

A SR22 fixa 5 dias para resposta de Tanure e da Ligga. Caso não haja resposta, pode acionar medidas judiciais e regulatórias, inclusive junto à CVM e ao Ministério Público.

As defesas de Tanure e da Ligga não foram anunciadas até a publicação. A tendência é o texto ganhar atualizações conforme novos posicionamentos surgirem.

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