- O ministro Dias Toffoli teria tentado orientar a Polícia Federal a buscar omissões e contradições no depoimento do diretor do Banco Central sobre a fiscalização do Banco Master.
- Anotações do próprio Toffoli mostram que ele elaborou perguntas com o objetivo de apontar falhas na atuação do BC, incluindo a necessidade de confirmar datas para avaliar a tempestividade da liquidação.
- O gabinete do ministro afirmou que os vídeos das oitivas foram liberados e que as linhas investigatórias seguem com base nas provas, após Toffoli ter liberado parte do sigilo dos depoimentos.
- O Banco Master foi liquidado em novembro do ano passado em meio a suspeitas de fraude envolvendo a venda de carteiras de crédito ao Banco de Brasília por 12,2 bilhões, com 127 milhões de reais em dívidas para vencer na semana seguinte e apenas 4 milhões em caixa.
- A atuação de Toffoli tem gerado críticas por sigilo no processo e centralização de decisões; os depoimentos foram realizados na sede do STF, e apenas duas perguntas teriam sido feitas pela delegada e pelo juiz auxiliar.
O ministro Dias Toffoli, do STF, é acusado de ter tentado orientar a Polícia Federal a buscar omissões e contradições no depoimento do diretor do Banco Central, Ailton de Aquino, durante apuração de fraudes ligadas ao Banco Master. Anotações do próprio Toffoli, reveladas pelo Estadão, indicam a intenção de questionar a fiscalização prévia do BC.
Segundo a apuração, Toffoli elaborou perguntas para a PF, com comentários que explicitavam o objetivo de cada questionamento. Em uma linha, ele destacava a necessidade de datas para avaliar a tempestividade da liquidação do Master.
Em resposta, o gabinete do ministro afirmou que os vídeos das oitivas já foram liberados e que as linhas de investigação seguem os elementos de prova já colhidos. A Gazeta do Povo buscou o STF e aguarda retorno sobre o tema.
Contexto do caso Master
O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, foi liquidado em novembro do ano passado após suspeitas de fraude envolvendo a venda de carteiras de crédito ao BRB por 12,2 bilhões de reais. Na época, o banco possuía 127 milhões em dívidas a vencer na semana seguinte e apenas 4 milhões em caixa.
Vorcaro e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, estão entre os investigados, ao lado de outros diretores. O ex-presidente do Master também figura na CPMI do INSS, sob suspeita de descontos em folha de aposentados sem autorização.
Progresso das perguntas e depoimentos
A apuração do Estadão aponta que apenas duas perguntas sugeridas por Toffoli foram utilizadas pela delegada Janaína Palazzo e pelo juiz auxiliar Carlos Vieira Von Adamek no depoimento de Aquino. Uma delas discutia a demora da fiscalização do BC em falhas, sugerindo contradição entre falha crônica e prazo legal.
Toffoli citou, ainda, nota do BC que indicou a identificação de indícios de fraude em fevereiro de 2025, sem novos exames nas carteiras do Master. O ministro descreveu o que chamou de omissão consciente documentada, caso o BC tenha interrompido a fiscalização.
Depoimento e sigilo
Durante o depoimento, uma pergunta tratou de medidas futuras que o BC poderia tomar após a liquidação. O advogado do BC acompanhando Aquino questionou a relevância da pergunta, que era vista como vaga pelo órgão. A PF repassou a questão ao juiz, que alegou tratar-se de ponto incerto, dependente de decisões da governança do BC.
Relatos indicam que Aquino aguardou mais de dez horas para o depoimento no STF, sem videoconferência, apesar de pedido do BC. O confronto de versões ocorreu apenas entre Vorcaro e Costa, após a liberação do depoimento.
Avaliação pública
A atuação de Toffoli no caso tem recebido críticas de especialistas e de parte da classe política, por sigilo no processo e pela centralização de decisões. Houve disputas sobre guarda de provas apreendidas e a transferência de acesso entre STF, PGR e PF, além de a oitiva ter ocorrido na sede da Corte em vez de gabinetes da PF.
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