- O mercado de iates no Brasil passou a valorizar barcos maiores, acima de 70 pés, com a Okean Ferretti ampliando o foco em modelos de 85 e 100 pés (Ferretti 850 e Ferretti 1000).
- Em dez anos no mercado, a Okean já construiu 5.083 pés de barcos; em 2025 foram 1.150 pés, em 16 embarcações (média de 72 pés por unidade).
- Quem compra esses barcos costuma ter experiência na náutica; entre 85 clientes da empresa, quase todos já possuíam experiência anterior.
- Quem assina hoje uma Ferretti 850 deve esperar a entrega apenas em outubro de 2027, devido à fila de espera e ao tempo de produção de seis a nove meses.
- O Brasil é considerado carente de barcos maiores e de qualidade, o que reduz a pressão competitiva na faixa de 85 a 100 pés; a produção é baseada no licenciamento exclusivo com a Ferretti Yachts, com fabricação local em Santa Catarina.
O barco queridinho do Brasil mudou de tamanho. Antes, clientes de alta renda buscavam entre 30 e 50 pés; hoje a faixa prática passa de 70 pés. A empresa brasileira Okean Ferretti, licenciada exclusiva da Ferretti Yachts, mira esse perfil.
O estaleiro, em Santa Catarina, mostrou a mudança de escala com números. Em uma década, foram 5.083 pés de construção. Em 2025, produziram 1.150 pés em 16 embarcações, média de 72 pés por unidade, apontando foco em modelos maiores.
A estratégia acompanha o perfil do consumidor. O diretor comercial Manuel Macieira Pires afirma que, entre os 85 clientes diretos, quase não há quem compre o primeiro barco; a maioria já navega há anos. O brasileiro tende a subir de tamanho com cada troca.
Segundo Pires, o brasileiro evolui mais rápido na náutica. A empresa verifica que donos de barcos aumentam, em média, 10 pés a cada troca, em ciclos de cinco a seis anos, ritmo maior que o observado na Europa e na América do Norte.
Ferretti 850 e Ferretti 1000 são os modelos que vão ao encontro do desejo atual. A Ferretti 850, com 85 pés, tornou-se o centro da demanda local desde 2019. A linha 1000, de 100 pés, está avaliada em torno de R$ 60 milhões.
A fila de espera também é significativa. Um contrato assinado hoje para uma Ferretti 850 pode levar até outubro de 2027, considerando produção de seis a nove meses e matrículas confirmadas. A escassez de alternativas locais sustenta esse cenário.
O Brasil é visto como carente de barcos maiores e de qualidade, diz Pires, o que reduz a pressão de concorrência direta na faixa de 85 a 100 pés. Já foram fabricadas no país mais de 50 Ferretti, com venda superior a 60 unidades.
O licenciamento exclusivo posiciona a Okean para produzir modelos italianos em série, com fabricação local. Em um mercado majoritariamente exportador, a empresa busca manter o equilíbrio entre preço, produção e disponibilidade.
Para atender à nova demanda, a Okean realocou a operação do Guarujá para Santa Catarina. A meta é uma planta capaz de produzir até 50 barcos por ano, com foco em modelos maiores, ainda que o volume seja menor.
A verticalização ganhou cenário com uma unidade de fibra em Porto Belo, responsável pela laminação dos cascos, e um galpão em Rio Negrinho dedicado à marcenaria e às peças em teca. Juntas, as fábricas somam quase 40 mil m².
Essa expansão envolve mão de obra. Hoje são cerca de 500 funcionários, com a previsão de abrir entre 80 e 100 vagas adicionais para atender a novos turnos e a projetos maiores, mantendo operações essencialmente artesanais.
O mapa de vendas confirma concentração em grandes centros. São Paulo sozinha responde por mais de metade dos negócios, com Santa Catarina em seguida, e Rio de Janeiro e Paraná compondo o restante. Curitiba é apontada como foco de crescimento.
A linha Ferretti atende integralmente ao mercado brasileiro, enquanto a marca Okean foca inicialmente na exportação. Mesmo assim, a empresa já iniciou novas matrículas no Brasil, incluindo o Okean 57, um day boat de 57 pés que funciona como porta de entrada.
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