- A AGOA venceu em 30 de setembro de 2025, encerrando 25 anos de acesso preferencial de 32 países da África Subsaariana a mais de 1.800 produtos dos EUA; a extensão já passou pela Câmara, mas precisa do Senado e de acordo orçamentário, com propostas majoritariamente de continuidade de curto prazo.
- Do ponto de vista norte‑americano, a AGOA ajudou empregos, acesso a minerais críticos e segurança energética, sendo descrita pelo Departamento de Estado como a base da relação econômica com a África Subsaariana.
- A administração de Joe Biden sinalizou interesse em reformar e reautorizar a AGOA; várias propostas bipartidárias foram apresentadas, mas nenhuma foi votada antes do fim do mandato, com possibilidade de uma extensão de um ano.
- Se não for renovada ou substituída, os EUA podem perder ferramenta de diplomacia econômica, robustez de cadeias de suprimento e confiabilidade como parceiro, especialmente com a África ganhando peso econômico e demográfico.
- Considerações sobre impactos: a AGOA apoiou centenas de milhares de empregos nos EUA, ajudou cadeias de valor em automotiva, mineração e energia, e a renovação deveria ampliar oportunidades, incluindo setores como minerais críticos e comércio digital, além de considerar estruturas com a União Africana e o AfCFTA.
O AGOA, marco da relação comercial entre os EUA e a África, expirou em 30 de setembro de 2025, após 25 anos. O programa oferecia acesso privilegiado a mais de 1.800 produtos para 32 países da África Subsaariana, eliminando tarifas de exportação. Embora tenha havido projeto de extensão na Câmara, ainda depende do Senado e da assinatura presidencial, com debates orçamentários em curso.
Diversos atores comentam o tema. O governo americano afirma há anos que AGOA sustenta empregos, facilita acesso a minerais críticos e reforça a segurança energética, elementos centrais da agenda de comércio com a África. O Departamento de Estado descreve AGOA como a base do envolvimento econômico com a região.
Desdobramentos políticos
A administração Biden sinalizou interesse em reformar e renovar o AGOA, com propostas bipartidárias apresentadas no Congresso, mas sem votação até o fim do mandato. Houve menção de uma extensão de um ano em alguma fase, mas a data de expiração coincidiu com prazos orçamentários, contribuindo para a paralisação.
Se não houver renovação ou substituição, o país pode perder ferramentas de diplomacia econômica, resiliência de cadeias de suprimento e confiabilidade de parceria com a África, especialmente diante do crescimento populacional e das oportunidades de mercado na região.
Impactos econômicos e setoriais
Apesar de números iniciais modestos, o AGOA ajudou a fortalecer capacidade industrial dos EUA, fornecendo insumos para produção doméstica e ampliando a competitividade de produtos de maior valor. O programa apoiou dezenas de milhares de empregos na cadeia de suprimentos entre EUA e África.
Estados como Michigan, Alabama, Texas e Carolina do Norte são citados como exemplos de impactos: automóveis, processamento de castanhas, algodão e têxteis estiveram entre os setores beneficiados, com integração de cadeias que utilizam recursos africanos. Portos americanos também se beneficiaram do aumento da troca bilateral.
A participação africana ampliou o acesso a minerais críticos e fortaleceu a segurança de abastecimento. O bloco abriga grandes reservas de manganês, platina, cobalto e grafita, itens estratégicos para baterias e tecnologia. Estudos indicam que, sob AGOA, os EUA diversificaram fornecedores em minerais-chave.
Panorama competitivo e riscos
Caso o AGOA não seja renovado, alguns analistas destacam perda de vantagem comparativa e maior exposição a concorrentes como a China, que tem ampliado presença econômica na África. Além disso, a substituição de acordos pode afetar a zona de comércio com o AfCFTA, com potenciais impactos para as exportações norte-americanas.
A depender de propostas futuras, há sugestões de ampliar o acordo para mais setores, buscar acordos de minerais críticos e reduzir barreiras ao comércio digital. Observadores apontam que a pauta estrangeira pode exigir instrumentos rápidos para evitar descontinuidade abrupta.
Caminhos futuros
Especialistas ressaltam a possibilidade de diálogo com a União Africana ou o AfCFTA, mantendo um arcabouço que garanta previsibilidade e proteção de cadeias de suprimento. O uso de frameworks complementares seria vital para enfrentar a lacuna deixada pela expiração do AGOA.
A análise de cenários sugere que, independentemente da forma que assuma, é essencial um plano estratégico sólido para manter oportunidades de negócios, preservar empregos e sustentar relações com parceiros africanos.
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