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Family Offices não investem corretamente em IA, aponta JP Morgan

Relatório do J.P. Morgan aponta que family offices subinvestem em IA, com apenas 3,3% em growth e venture capital e pouca exposição à infraestrutura

JP Morgan
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  • Relatório do banco privado JP Morgan aponta que family offices subestimam IA, com apenas 3,3% dos portfólios em growth e venture capital, enquanto 57% não têm exposição a esses ativos.

  • 30,8% da carteira está em investimentos alternativos; há menor participação em infraestrutura de IA, já que mais de 70% não investem nesses ativos.

  • O relatório enfatiza a necessidade de mirar na cadeia de fornecimento da IA, incluindo semicondutores, redes e infraestrutura de energia, porque grande parte do valor está fora do mercado público.

  • Geopolítica é o principal risco para 64% dos offices; inflação impulsiona maior alocação em investimentos alternativos, com quase sessenta por cento do capital na categoria.

  • Governança e planejamento sucessório aparecem como pontos críticos: 53% das famílias empresárias citam planejamento como prioridade, e 86% não possuem plano de sucessão claro; terceirização de serviços é comum com 80% das firmes já adotando-a.

Em meio à revolução da IA, escritórios de gestão de fortunas enfrentam dúvidas sobre a alocação de ativos voltados à megatendência. Um relatório global do private bank do J.P. Morgan ouviu 333 family offices distribuídos por 30 países, com patrimônio líquido médio de US$ 1,6 bilhão. O estudo aponta inadequação na exposição a growth, venture capital e infraestrutura de IA.

O documento destaca uma atitude global pró-risco, mas com lacunas significativas. A IA é o tema de investimento dominante, porém 57% dos pesquisados não investem em growth nem em venture capital, áreas onde ocorre grande parte da inovação. Atualmente, apenas 3,3% dos portfólios estão nesses ativos.

Além disso, mais de 70% dos family offices não possuem investimentos em infraestrutura de IA, apesar da dependência de data centers, redes e sistemas de resfriamento para o avanço tecnológico. O estudo afirma que é preciso mirar além das grandes empresas para capturar oportunidades em capacitores da cadeia de fornecimento.

Investimento privado e infraestrutura

O relatório ressalta que o mercado privado já avalia as dez maiores companhias de IA em cerca de US$ 1,5 trilhão, com parte relevante do valor futuro da IA gerado fora dos mercados públicos. Christophe Aba, head de investimentos do banco, enfatiza a necessidade de olhar para capacitores como semicondutores e infraestrutura de energia.

Geopolítica e inflação

A geopolítica é citada como principal risco por 64% dos offices, que ainda mantêm baixa adesão a ativos de proteção tradicionais. Ouro e criptomoedas ficam fora do radar de 72% e 89%, respectivamente, com preferência por ativos tangíveis e estratégias consolidadas. A inflação impulsiona inovações em investimentos alternativos, elevando a participação de hedge funds e fundos imobiliários.

Negócios familiares

O estudo mostra governança avançada em famílias empresárias: 48% formalizaram estruturas de governança, ante 40% de famílias sem empresa. Elisabeth Shevlin Rizzo, do J.P. Morgan, aponta riscos como perda de sinergias e gestão de riscos insuficiente, especialmente durante transições econômicas e geracionais.

Conflitos internos aparecem como risco, estando presentes em 41% das famílias empresárias, contra 23% em demais perfis. A definição de alocação de investimentos é considerada pela metade das famílias empresárias, com apenas 48% levando em conta a empresa nesse processo.

A pergunta sobre planejamento sucessório permanece crítica: 53% das famílias empresárias citam o tema entre suas principais preocupações, e 86% de todos os family offices não dispõem de um plano de sucessão claro para tomadores de decisão.

Terceirização de serviços

A complexidade crescente eleva custos operacionais. O gasto médio anual fica em US$ 3 milhões por escritório, chegando a US$ 6,6 milhões para carteiras acima de US$ 1 bilhão. Cerca de 25% a 28% dos custos vão para serviços externos, como jurídico, negociação e cibersegurança.

A terceirização aparece como prática comum: 80% dos family offices subcontratam parte da gestão de portfólio, e escritórios maiores costumam terceirizar mais da metade dos seus ativos. Serviços jurídicos, negociação de mercado e cibersegurança são as áreas mais terceirizadas.

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