- Executivos se reuniram em St. Moritz no GRI Chairmen’s Retreat 2026 – Europe, destacando a Europa como porto seguro para o capital em meio a incertezas globais, com foco em resiliência, energia e regulação.
- Alemanha é citada como exemplo de mercados com peso estatal que freia o dinamismo, com controles de aluguel no residencial e gargalos de energia e mão de obra para data centers elevando custos.
- Espanha e Itália aparecem como pontos fortes em logística, enquanto Portugal apresenta demanda por moradia, mas com cautela devido ao regime regulatório.
- Reino Unido é considerado mais fraco no ciclo; os mercados da região FLAP-D (França, Londres, Amsterdã, Paris e Dublin) enfrentam restrições de energia que atrasam novos projetos.
- Tendências: living deve superar escritórios como maior classe de ativos; data centers dependem da disponibilidade de energia; credores não bancários ganham protagonismo na dívida imobiliária; foco em ativos resilientes e com infraestrutura energética estáveis.
O mercado imobiliário europeu vive um novo ciclo marcado pela resiliência. Executivos reunidos em St. Moritz, Suíça, no GRI Chairmen’s Retreat 2026 – Europe, apontam incertezas geopolíticas, pressão regulatória e escassez de energia como fatores decisivos. A Europa passa a ser vista como porto seguro para o capital, frente aos cenários nos EUA e na Ásia.
Para os participantes, há maior previsibilidade institucional na região, ainda que existam riscos. O encontro, por convite, reuniu líderes globais como Tracy Stroh (GIC), Raj Menda (RMZ), Brad Hyler (Brookfield), Roger Orf (Apollo) e Jim Blakemore (BentallGreenOak). O conteúdo das conversas não foi divulgado publicamente.
Alemanha: regulação forte e gargalos estruturais
A Alemanha é citada como exemplo de rigidez regulatória que freia o dinamismo. No residencial, controles de aluguel desestimulam novos projetos e reduzem o interesse de investidores de longo prazo. Nos data centers, há escassez de energia e mão de obra qualificada, elevando custos e atrasando cronogramas, mesmo com demanda elevada.
Portugal: demanda existe, mas o risco regulatório pesa
Portugal aparece com demanda estável por moradia, impulsionada por urbanização e fluxo internacional. Contudo, o desenho regulatório recente, com limites de aluguel e decisões politizadas, gera cautela entre investidores. O capital permanece interessado, porém seletivo.
Espanha e Itália: resiliência no sul da Europa
No setor logístico, Espanha e Itália apresentam maior demanda, especialmente em galpões de grande porte. Preços ainda competitivos e recuperação econômica gradual criam oportunidades em regiões bem conectadas e com infraestrutura existente.
Reino Unido: fase mais fraca do ciclo
O Reino Unido figura entre os mercados desafiadores para logística, com crescimento econômico moderado e absorção mais lenta. Investidores adotam postura defensiva, em comparação com o sul da Europa, que apresenta sinais de recuperação.
FLAP-D: saturação e crise de energia
Frankfurt, Londres, Amsterdã, Paris e Dublin seguem centrais, mas com restrições severas para novos projetos, principalmente em data centers. Limitações de energia e da rede elétrica elevam a incerteza de prazos de expansão.
Espanha, Polônia e países nórdicos: janela de oportunidade reduzida
Esses mercados aparecem como alternativas para realocação de capital em living e data centers. Infraestrutura disponível e menor saturação ajudam na entrada, mas a janela de oportunidade tende a se fechar à medida que projetos evoluem e a energia vira limitador.
Living, escritórios e a nova lógica de investimento
O living pode superar os escritórios como maior classe de ativos na Europa, sustentado por demanda estrutural. Escritórios passam por seleção rígida; apenas imóveis de alta qualidade, boa localização e serviços competem com o home office. Data centers ganham função essencial, desde que haja energia disponível.
Financiamento e o papel dos credores não bancários
Credores não bancários ganham protagonismo ao preencher lacunas deixadas pelos bancos. A dívida imobiliária oferece retornos atraentes com risco relativo menor, explicando o aumento de sua participação no financiamento.
Orientação do novo ciclo
O resumo do mercado é objetivo: ativos capazes de operar em ambientes regulatórios complexos, com energia garantida e alinhamento tecnológico ganham vantagem. Eficiência permanece importante, mas a resiliência passa a definir a sustentabilidade do investimento imobiliário europeu.
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