- A cúpula Brasil e Rússia em Brasília deve discutir o fornecimento de fertilizantes para o agronegócio, com a Rússia pressionando para não perder espaço para a China.
- Em dois anos, o Brasil importou 44,3 milhões de toneladas de adubos em 2024 (US$ 13,5 bilhões) e 45,5 milhões em 2025 (US$ 15,5 bilhões); a Rússia respondeu por 27,3% e 25,9%, respectivamente, enquanto a China ficou com 14,2% e 18,8%.
- O debate ocorre em um momento de reorganização de cadeias globais de insumos, com preferências brasileiras por fertilizantes de menor concentração, favorecendo fornecedores com escala, principalmente a China.
- A reunião reúne autoridades como o vice-presidente brasileiro Geraldo Alckmin, o primeiro-ministro russo Mikhail Mishustin, e envolve a ministra russa Oksana Lut e o ministro da Agricultura do Brasil, Carlos Fávaro.
- Analistas apontam que a disputa por fertilizantes pode ganhar peso no debate público em ano eleitoral, destacando a dependência do agronegócio e a influência de China e Rússia no cenário brasileiro.
Uma reunião entre membros da cúpula do governo brasileiro e russo, nesta quinta-feira (5) em Brasília, deve enfrentar um embate pelo abastecimento de fertilizantes para o agronegócio. A pressão é para não perder mercado para a China.
A 8ª Reunião da CAN deve servir para Moscou defender participação nas importações brasileiras, diante da crescente atuação de Pequim no setor. A China tem ampliado suas exportações ao Brasil nos últimos anos.
A tensão se insere em uma disputa geopolítica maior, com os EUA afirmando, em sua estratégia nacional de segurança, que não aceitarão influência de outras potências na região. Essa conjuntura envolve Lula e Bolsonaro, que buscam manter diálogo com Moscou.
Contexto de importação e competição
Em 2024, o Brasil importou 44,3 milhões de toneladas de adubos, por US$ 13,5 bilhões. A Rússia respondeu por 27,3% do volume, enquanto a China ficou com 14,2%, segundo dados oficiais.
No ano seguinte, 2025, as compras subiram para 45,5 milhões de toneladas, com desembolso de US$ 15,5 bilhões. A participação russa caiu para 25,9%, a chinesa subiu para 18,8%, indicando maior peso da China no mercado.
A reorganização das cadeias globais de insumos, afetadas pela guerra na Ucrânia, conflitos no Oriente Médio e custos logísticos, começa a favorecer fornecimentos com escala, especialmente da China.
Análises e perspectivas
Analistas ressaltam que a reunião aborda mais que fertilizantes. A dependência brasileira do agronegócio coloca o país em posição sensível para escolhas diplomáticas e estratégicas diante de Moscou e Pequim.
Cezar Roedel aponta que a Rússia, embora buscando espaço, pode ter dificuldade em reverter a tendência de ganho chinês, dada a capacidade técnica e logística da China no setor.
Elton Gomes destaca que a ascensão chinesa no mercado de fertilizantes amplifica o poder de influência sobre países agrícolas exportadores como o Brasil, especialmente com o peso do agronegócio na balança comercial.
Patrícia Arantes, da SRB, afirma que, mesmo com queda da participação russa, o país permanece relevante no mercado internacional por possuir produção concentrada. A China não substituiria a Rússia de forma isolada.
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