- Em 2025, o BNDES repassou 985,03 milhões de reais do Fundo Rio Doce para ações de saúde em Espírito Santo e Minas Gerais.
- Os recursos integram o Novo Acordo do Rio Doce, que reparte ações para danos causados pelo rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana, em 2015.
- Para ações de saúde, o Novo Acordo reservou 12 bilhões de reais, dos quais 11,32 bilhões ficarão sob gestão do BNDES pelo Fundo Rio Doce.
- Do montante total, 684 milhões de reais ficam a cargo dos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo.
- Entre as iniciativas estão a construção do Hospital-Dia de Santana do Paraíso e do Hospital Universitário de Mariana, vinculados à Ufop, além de centros de referência relacionados à água e a substâncias químicas.
O BNDES informou nesta quinta-feira, 5 de junho de 2025, que repassou 985,03 milhões de reais do Fundo Rio Doce para ações de saúde nos estados de Espírito Santo e Minas Gerais. Os recursos são parte do reparo pelo rompimento da Barragem do Fundão, em Mariana (MG), em 2015.
O montante integra o Novo Acordo do Rio Doce, instrumento de reparação dos danos causados pelo acidente ambiental. A barragem era de responsabilidade da Samarco, controlada pela Vale e pela BHP Billiton.
O desastre ocorreu em 5 de novembro de 2015, quando cerca de 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos atingiram 633 quilômetros da bacia do Rio Doce, chegando à foz no Espírito Santo e impactando o abastecimento e ecossistemas. Ao todo, causou 19 mortes e afetou 49 municípios.
Detalhes do acordo
Segundo o BNDES, os recursos destinam-se à construção de novas unidades de saúde e a outras ações no setor. O Novo Acordo, homologado em novembro de 2024, prevê 12 bilhões de reais para ações de saúde no total.
Desse montante, 11,32 bilhões são geridos pelo BNDES, no âmbito do Fundo Rio Doce, para o Programa Especial de Saúde do Rio Doce, sob coordenação do Ministério da Saúde. Os 684 milhões restantes são de responsabilidade dos estados.
Entre as iniciativas, estão a construção do Hospital-Dia de Santana do Paraíso e do Hospital Universitário de Mariana, vinculado à Ufop. Também há medidas para estruturar o Centro de Referência das Águas e o Centro de Referência em Exposição à Substâncias Químicas.
O programa contempla ações em 38 municípios mineiros e 11 capixabas. Do total, 815,8 milhões destinam-se a projetos executados pelo Ministério da Saúde. Outras áreas incluem 1,8 bilhão para planos municipais de saúde e 300,2 milhões para pesquisas pela Fiocruz.
O restante, cerca de 8,4 bilhões, deverá formar um fundo patrimonial para fortalecer a saúde nos municípios beneficiados. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que as iniciativas ajudam na recuperação econômica e na reestruturação da rede pública de saúde.
O gestor do Programa Especial de Saúde do Rio Doce, Sérgio Rossi, ressaltou que os investimentos devem fortalecer a vigilância em saúde e a capacidade de resposta das redes locais.
Novo Acordo e responsabilização
O Novo Acordo envolve União, estados, Samarco e acionistas Vale e BHP Billiton, além de instituições de Justiça. O objetivo é repactuar ações desde 2016 e ampliar a reparação dos danos.
O valor total do acordo é de 170 bilhões de reais, com 32 bilhões em indenizações e obrigações de fazer, 38 bilhões já executados, e 100 bilhões a serem desembolsados ao longo de 20 anos pelos responsáveis. Desse total, 49,1 bilhões são destinados às ações da União via Fundo Rio Doce.
Entre na conversa da comunidade