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Vorcaro culpa mercado e BC pela liquidação do Master o que sustenta defesa

Vorcaro acusa mercado e Banco Central pela liquidação do Banco Master; novo inquérito mira operações do BRB

Quem é Daniel Vorcaro, preso na operação que liquidou o Banco Master. (Foto: Gurometal/Wikimedia Commons)
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  • A liquidação do Banco Master foi decretada em novembro de 2025; Vorcaro prestou depoimento à Polícia Federal em 30 de dezembro, com o sigilo sendo encerrado pelo STF na última semana.
  • Vorcaro afirma que a saída do Master foi resultado de uma “ofensiva” de grandes bancos e do Banco Central, e não de um colapso técnico inevitável, citando mudanças no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) desde 2018.
  • Reguladores e analistas veem as declarações com cautela e destacam que o caso envolve fatores técnicos, riscos do modelo de negócio e alterações regulatórias, enquanto o BC ressalta a responsabilidade das instituições pela análise de crédito.
  • O fundador diz ter sido forçado a vender ativos abaixo do preço de mercado para manter liquidez, alegando que isso favoreceu concorrentes; analistas afirmam que vendas sob pressão costumam ocorrer em crises de liquidez, não indicando manipulação deliberada.
  • Um novo inquérito da Polícia Federal investiga transações do BRB relacionadas ao Master; o BRB afirma gestão estável e cooperação com autoridades, enquanto Vorcaro menciona encontros com o governador do Distrito Federal, que negou tratar da transação.

O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirma em depoimento à PF que a liquidação da instituição, ocorrida em novembro de 2025, foi resultado de uma ofensiva de mercado envolvendo uma ala do Banco Central e bancos concorrentes. O depoimento teve sigilo retirado pelo ministro Dias Toffoli, relator no STF, na última semana. Vorcaro disse que o fechamento das atividades não foi inevitável, mas resultado de interesses de grandes players do setor.

Segundo ele, a estratégia do Master desde 2018 envolveu o uso do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) dentro das regras vigentes, explorando espaço pouco utilizado pelos grandes bancos. Analistas apontam que o relato pode soar como defesa típica de controlador em crise, atribuindo o colapso a fatores externos, regulatórios e atuação do BC.

Experts lembram ainda que o BC, o Ministério Público e a PF já destacavam fragilidades do modelo de negócio do Master, como dependência excessiva de recursos do FGC e rentabilidade acima da média. Reguladores afirmaram que mudanças no FGC tinham o objetivo de reduzir riscos sistêmicos, não mirar especificamente o Master.

Contexto regulatório

Vorcaro disse que alterações do FGC teria restringido a emissão de títulos lastreados pelo fundo e dificultado o acesso a plataformas de investimento, contribuindo para crise de liquidez. O CMN, porém, expandiu instrumentos de atuação do FGC e reforçou a supervisão, com medidas que não viselem exclusivamente o Master.

Para ele, o crescimento do Master provocou reação de grandes bancos, que teriam pressionado o BC a mudar regras, fortalecendo a governança de maneira a dificultar a captação do banco. O BC afirmou que a responsabilidade pela análise de crédito e controles é exclusiva de cada instituição.

Rui São Pedro, analista, ressalta que liquidações não são desejáveis e que a venda ou reestruturação de instituições em dificuldade é mais comum do que a eliminação de rivais. Ele cita interesse em ativos bons de instituições saudáveis como estratégia mais comum do mercado.

Novas informações sobre o BRB

Vorcaro afirmou ter vendido ativos abaixo do valor de mercado durante o processo de recuperação, beneficiando rivais, segundo ele. Analistas discutem se houve de fato uma estratégia coordenada ou simples pressão de liquidez em cenário de estresse.

O Banco Regional de Brasília (BRB) foi citado como receptor de ativos do Master, mas o BC informou que a transferência de ativos entre instituições ocorre sob supervisão para manter a estabilidade do sistema. O BRB rejeitou acusações de irregularidades e disse manter apurações internas e cooperação com reguladores.

PF abriu um novo inquérito para apurar transações envolvendo o BRB e o Master. O BRB informou que continua sólido, com capital suficiente, e que já esclareceu perguntas das autoridades.

Perspectivas e próximos passos

Vorcaro disse que a liquidação foi adiantada para impedir negociações que poderiam salvar o Master. A defesa aponta que a intervenção teve foco em preservar a concentração do sistema financeiro. Especialistas avaliam que divergências entre áreas de supervisão são comuns, sem configurar perseguição institucional, e que a liquidação envolve avaliação de riscos ao sistema.

Regina Martins destaca que o BC já alertava para riscos do modelo do Master e pediu medidas em 2024, com o acompanhamento da intervenção ocorrendo ao longo de 2025. A defesa também mencionou encontros com o governador do DF, Ibaneis Rocha, embora a condução da negociação tenha sido negada pelo governador.

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