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Brasil abre negociações com Mercosul-China; China busca aprofundar laços

Brasil avalia acordo comercial parcial entre Mercosul e China, sinalizando mudança de posição diante de tarifas dos EUA e busca por abertura econômica

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  • Brasil avalia, pela primeira vez, fechar um acordo comercial parcial entre Mercosul e China, em meio a mudanças na postura econômica do governo Lula.
  • A ideia surge diante de tarifas dos Estados Unidos e da busca chinesa por laços mais aprofundados, com negociações centradas em algumas linhas tarifárias e barreiras não tarifárias.
  • A mensagem conjunta durante a visita do presidente uruguaio ao Brasil e à China indicou desejo de iniciar negociações de livre comércio entre Mercosul e China “o mais rápido possível”.
  • Mesmo com potencial, avançar depende de consenso entre os membros do Mercosul, o que complica a viabilidade de um acordo amplo.
  • Países como Paraguai e Argentina enfrentam obstáculos distintos, incluindo manter relações com Taiwan e alinhamentos com Washington, que podem influenciar o apoio a um acordo com a China.

Brasil avalia acordo comercial parcial entre Mercosul e China pela primeira vez, sinalizando mudança significativa na postura da maior economia da região. A ideia surge em meio a tensões comerciais globais e a pressões de tarifas impostas pelos EUA, segundo autoridades brasileiras.

A avaliação foi feita por high officials do governo durante o retorno de uma visita do presidente uruguaio Luis Lacalle Pou a Beijing, que ocorreu nesta semana. O objetivo é avançar em linhas tarifárias específicas, em vez de uma negociação abrangente, conforme revelou uma das fontes sem identificação para evitar atritos institucionais.

Segundo as fontes, a mudança ocorre num cenário de diversificação de parceiros e busca por maior abertura comercial. A ideia é explorar aberturas não tarifárias, como quotas de importação, procedimentos aduaneiros e normas sanitárias, além de eventual flexibilização de tarifas limitadas.

Mercosul, bloco que reúne Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, ainda depende de consenso interno para avançar. Paraguay e Argentina, em especial, trazem dúvidas estratégicas: As relações com Taiwan e a aproximação de Buenos Aires com Washington podem influenciar a posição frente a Beijing.

No âmbito regional, analistas destacam que o peso de China na economia brasileira tem crescido. Investimentos chineses em produção no Brasil aumentaram nos últimos anos, ampliando a importância de manter laços estáveis para evitar impactos setoriais.

Especialistas ressaltam que qualquer acordo parcial exigiria apoio de todos os membros do Mercosul, o que pode levar tempo. A coordenação entre Argentina e Paraguai permanece como fator crítico para a viabilidade de avanços substanciais.

Em relação a temas internos, a avaliação também considera o impacto sobre setores sensíveis da indústria brasileira, que temem competição com a pauta chinesa. A mudança de estratégia busca equilibrar ganhos com proteção a fabricantes nacionais.

Autoridades brasileiras indicam que ainda é cedo para definir setores alvo e que o tema é complexo. O governo segue monitorando sinais de que Washington pode pressionar para alianças regionais mais fortes, influenciando os caminhos do Mercosul com a China.

Fontes do governo destacam que a dinâmica regional está em transformação. O tema permanece sob análise, sem decisão final anunciada, enquanto o Brasil busca maior flexibilidade de atuação sem abandonar proteções estratégicas. Reuters.

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