- A saída de Marco Lavagna do INDEC ocorreu após discordância com a decisão do governo Milei de adiar a atualização da metodologia de cálculo da inflação.
- O episódio reacende debates sobre a autonomia do INDEC e a possibilidade de interferência política nos números oficiais.
- A troca de acusações entre governo e oposição aponta para desconfiança sobre a credibilidade das estatísticas no país.
- O governo Milei busca reduzir a inflação mensal para abaixo de 1% até agosto, enquanto fontes indicam que a nova fórmula poderia ter apontado taxa um pouco maior.
- Historicamente, a credibilidade dos dados de inflação já foi contestada no passado, com acusações de manipulação que afetaram investimentos e acesso a crédito.
O debate sobre os números de inflação na Argentina ganhou contorno político após a resignação do presidente do INDEC, Marco Lavagna, nesta semana. A saída ocorreu depois de um desacordo com o governo de Milei sobre a mudança na metodologia de cálculo da inflação.
A economia argentina enfrenta desconfiança histórica sobre dados oficiais. O Ministério da Economia afirmou que Lavagna pediu demissão em decorrência da divergência com a decisão do governo de adiar a atualização metodológica. A mudança envolveria dados de janeiro, segundo o INDEC.
Lavagna era nomeado pelo Poder Executivo, mas o cargo tem tradição de autonomia técnica. A controvérsia alimenta críticas dos oposicionistas que veem a manobra como forma de blindar a popularidade do presidente Milei.
Desempenho da inflação e antecedentes
Milei apresenta queda de inflação mensal para abaixo de 3%, alvo de sua agenda econômica que visa desinflação. Em 2013, o FMI já havia apontado subnotificação de números argentinos, gerando alerta sobre credibilidade.
O histórico de dúvidas remonta ao período de Kirchner, quando mudanças no INDEC geraram leituras divergentes entre números oficiais e estimativas privadas. A diferença impactou juros, títulos e o apetite de investidores.
Reações políticas
O anúncio da saída de Lavagna gerou críticas de a oposição, que acusa o governo de tentar proteger a posição política do presidente. Parlamentares citam a transparência como questão central para a confiança dos agentes econômicos.
Consultorias e especialistas destacam que a autonomia do INDEC é crucial para decisões de política pública e para o funcionamento de mercados. A queda de confiança pode influenciar previsões e custos financeiros.
Perspectivas e impactos
Mercado e governo não divulgaram comentários oficiais sobre o novo cronograma da metodologia. Cinco fontes de mercado indicaram à Reuters que a fórmula revisada poderia indicar inflação ligeiramente maior.
O Ministério da Economia não comentou o assunto. A discussão sobre dados oficiais permanece como tema sensível, com impactos potenciais sobre tarifas, subsídios e credibilidade institucional.
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