- Exportações de soja do Brasil podem chegar a cerca de 14 milhões de toneladas no início do ano, mesmo com demanda interna mais lenta.
- A colheita da safra recorde 2025/26 avança na maioria dos estados, ampliando a oferta para embarques.
- As vendas dos produtores ficam entre 34% e 38% da safra, abaixo da média histórica para o período, com índice oficial em 33,9%.
- O estoque de passagem de 2025 para 2026 é de 6 milhões de toneladas, acima dos 4 milhões do ciclo anterior, sustentando os embarques.
- As projeções apontam 13,9 milhões de toneladas negociadas em janeiro e fevereiro; o mercado acompanha a queda do dólar e a sazonalidade, com previsão de recorde de 112 milhões de toneladas de exportação em 2026.
A safra de soja 2025/26 segue em desenvolvimento no Brasil, impulsionando o embarque inicial, mesmo com a comercialização ainda abaixo da média histórica. Dados preliminares indicam que as exportações podem chegar a cerca de 14 milhões de toneladas no bimestre inicial, segundo a Anec.
A produção brasileira tende a superar 180 milhões de toneladas, com estoques de passagem elevados. Mesmo diante da lentidão de vendas, analistas apontam que a oferta robusta pode sustentar embarques ao longo dos próximos meses.
O que acontece é que a colheita avança em quase todos os estados, enquanto compradores globais, especialmente na China, aguardam a entrada da nova safra no mercado. Além disso, rumores sobre demanda dos EUA influenciam o cenário global.
Comercialização lenta
Vendas de produtores alcançam entre 34% e 38% do total esperado, com a Safras & Mercado apontando 33,9% em seu último levantamento. O atraso é de mais de dez pontos percentuais em relação à média histórica para o período.
Para a Hedgepoint Global Markets, as vendas ficam próximas de 35% da safra, cinco pontos percentuais abaixo do mesmo período do ano passado. A Céleres projeta até 38% da safra comercializada, abaixo da média histórica, dependendo do tamanho da colheita.
Apesar da demanda fraca, a colheita maior de 2025/26 e os estoques de passagem de 2024/25 ajudam a manter o fluxo de embarques. Alguns analistas apontam produção brasileira superior a 180 milhões de toneladas.
Estoque de passagem de soja entre 2025 e 2026 ficou em torno de 6 milhões de toneladas, ante 4 milhões entre 2024 e 2025, o que sustenta as condições de exportação no início do ano.
Oscar de Mercadona Hedgepoint Global Markets afirma que, no agregado, a demanda pode crescer com o avanço da safra, especialmente em janeiro e fevereiro, quando as negociações devem aumentar. A perspectiva é de 13,9 milhões de toneladas no primeiro bimestre, ante 7,5 milhões no ano anterior.
Câmbio e logística
A Céleres destaca que o câmbio continua entre os fatores que afetam o preço recebido pelos produtores. Um dólar mais fraco pressiona os valores domésticos, enquanto gargalos logísticos podem elevar fretes e descontos.
Analistas citam ainda que o estoque elevado ajuda a manter o ritmo de embarques, mas a comercialização lenta pode exigir ajustes de preço para manter a liquidez. Os primeiros meses do ano costumam concentrar demanda sazonal por parte de compradores.
As exportações brasileiras de soja em 2026 são projetadas pela Céleres em 112 milhões de toneladas, contra cerca de 108 milhões no ciclo anterior, refletindo o contexto de oferta elevada e demanda externa em recuperação. Fontes do setor ressaltam que a evolução dos preços dependerá de variáveis como frete, câmbio e ritmo de negociações.
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