- Ao finalizar o quarto trimestre de 2025, 5.680 empresas estavam em recuperação judicial, alta de 7,5% em relação ao trimestre anterior e 24,3% na comparação anual, o maior estoque desde o início do monitoramento, com dívidas somando cerca de 40 bilhões.
- A Selic permanece em patamar elevado, chegando a 15% ao ano a partir de junho de 2025, influenciando o custo do dinheiro e o endividamento.
- A taxa de desemprego ficou em média em 5,6% em 2025, a menor da série iniciada em 2012, com alguns trimestres próximos de 5,1%, enquanto a massa de rendimento real habitual atingiu 361,7 bilhões de reais.
- Aproximadamente 80% das famílias declararam ter algum tipo de dívida, com cerca de 30% da renda comprometida, em meio a crédito caro e altas prestações.
- O cenário mostra um paradoxo: desemprego baixo convivendo com mais recuperações judiciais e maior endividamento familiar, em que a Selic atua como controle da inflação, mas também aumenta o custo do endividamento.
No Brasil, o excesso de juros ainda ajuda a explicar o paradoxo entre desemprego baixo e fragilidade de empresas e famílias. Em 2025, o ritmo de recuperações judiciais aumenta, enquanto o endividamento cresce em meio à Selic elevada.
O Monitor RGF aponta: no 4º trimestre de 2025, 5.680 empresas estavam em recuperação, ante 5.285 no trimestre anterior, e 24,3% a mais que no mesmo período de 2024. O estoque é o maior desde o início do monitoramento, em 2023.
O total de dívidas das companhias que ingressaram em recuperação chegou a cerca de 40 bilhões de reais no 4º trimestre. Limites de crédito e margens apertadas aparecem como fatores-chave nesse cenário.
A taxa Selic manteve-se em 15% ao ano a partir de junho de 2025, após alta ao longo do ano. A política monetária restritiva influencia o custo do dinheiro para empresas e famílias, pressionando o fluxo de caixa.
A pesquisa PNAD Contínua do IBGE indica que a taxa de desemprego ficou em 5,6% em 2025, a menor da série iniciada em 2012. Trimestres chegaram perto de 5,1% de desemprego, sinalizando força no mercado de trabalho.
Ao mesmo tempo, a massa de renda real habitual das famílias atingiu 361,7 bilhões de reais em 2025, recorde. Em relação a 2024 houve alta de 7,5%, impulsionada pela recuperação do emprego em serviços e comércio.
O endividamento das famílias cresce apesar do emprego. Estudo da CNCC aponta que cerca de 80% das famílias declararam ter algum tipo de dívida. A proporção da renda comprometida com dívidas aproxima-se de 30%.
A combinação de desemprego baixo e endividamento elevado revela a persistência de riscos. O crédito permanece caro, especialmente em limite de consumo, cartão, cheque especial e financiamentos de bens duráveis.
Endividamento e crédito
A massa de rendimentos em alta, somada a juros elevados, eleva a parcela de renda destinada ao pagamento de dívidas. O efeito é maior sobre famílias com menor folga orçamentária e sobre empresas com dificuldade de alongar prazos.
A alta de juros intensifica o custo de refinanciamento de dívidas herdadas. O cenário sugere que parte importante do setor produtivo opera no limite, em meio a um crédito pouco disponível e caro.
Não há conclusão ou opinião neste texto. O conteúdo descreve dados oficiais, tendências e impactos observados no mercado brasileiro até 2025, com foco em neutralidade e veracidade.
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