- Hering, empresa centenária de Blumenau, completou um trimestre sob nova gestão que busca reconectar a marca com as origens e com a cidade.
- A rede de franqueados responde por 613 das 700 lojas do país, e a gestão pretende aproximá-los mais das decisões de sortimento e planejamento.
- Em 2025, Thiago Hering deixou o cargo de CEO, encerrando 145 anos de gestão direta da família; a direção busca manter a herança da marca.
- A fusão que originou a Azzas 2154 colocou a Hering à frente do braço de Basics, com foco em reposicionar a marca e valorizar o básico bem feito.
- Ações incluem trazer o desenvolvimento de produto para perto da fábrica em Blumenau, acelerar ciclos de produção, ampliar o canal multimarca e priorizar rentabilidade e perenidade da operação.
A Hering, marca centenária da indústria têxtil, está em processo de renovação estratégica que busca reconectar a empresa às suas origens em Blumenau. A iniciativa envolve a nova gestão, liderada por David Python, Fernando Porto e Gustavo Rudge, eleita para guiar a reordenação após a saída do controle familiar.
O movimento foi apresentado no cenário da sede da empresa, em Blumenau, a queima-roupa para jornalistas e centenas de franqueados. O objetivo é manter a marca ativa após um trimestre sob a nova gestão e alinhar operações, rede de franqueados e a linha de produtos com a nova visão.
A origem da Hering na cidade é enfatizada como parte da identidade da empresa, ligada ao parque fabril que impulsionou a industrialização e a vida pública local. A nova gestão busca manter o legado ao mesmo tempo em que reorganiza o negócio para ampliar a eficiência.
Reconexão
Segundo o CEO, a missão de longo prazo é devolver à marca a potência histórica, com foco em pessoas, rede e operação. O diagnóstico inicial apontou desconexões entre propósito, entrega, promessas e o portfólio, bem como entre a empresa e os franqueados.
O processo envolveu o centro da tomada de decisões, com participação ampliada de quase 200 sócios franqueados. O showroom das coleções foi transferido para a sede, marcando o retorno a Blumenau e simbolizando a mudança de clima entre parceiros há mais de 15 anos afastados de eventos da marca.
A gestão também alterou o fluxo de pedidos, antecipando coleções para estabilizar produção e estoque. Essa mudança busca reduzir falhas e perdas de vendas, conectando criação, produção e varejo de forma mais direta.
Tecnologia como motor
Além de ajustes operacionais, o trio aponta caminhos de crescimento, com ênfase na expansão da rede de franquias e no canal multimarca, considerado subutilizado. A melhoria do atendimento aos parceiros é vista como parte da recuperação de desempenho da marca.
As coleções futuras já indicam uma nova linha de produtos, com retorno do foco no básico bem feito. Camisetas básicas, listras e peças de algodão ganham espaço, enquanto a linha de camisas sociais e tecidos tecnológicos recebe maior atenção.
A produção é majoritariamente interna, com importações apenas quando a demanda não pode ser atendida localmente. A tecnologia passa a ter papel de motor de diferenciação, impactando custo, qualidade e velocidade.
Blumenau como estrela
A centralização de atividades em Blumenau reforça o objetivo de aproximar criação e fábrica, acelerando processos e fortalecendo a cultura de produto. A proximidade entre desenvolvimento e produção é apresentada como ganho de qualidade.
Mesmo com parte da gestão administrativa em outras cidades, a cidade volta a ocupar posição central. A visão é transformar Blumenau em hub produtivo e expandir esse know-how para as demais unidades da Azzas 2154.
A ausência da família fundadora na gestão pela primeira vez em 145 anos reforça a busca por continuidade histórica. Franqueados de longa data são vistos como guardiões do conhecimento prático que não se encontra em manuais, sustentando a estratégia de longo prazo.
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