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Raízen perde grau de investimento e contrata Alvarez & Marsal como assessora

Raízen perde grau de investimento e contrata Alvarez & Marsal para reforçar liquidez, após rebaixamentos da Fitch e da S&P e forte queda dos títulos

Empresa enfrentadificuldades para lidar com as altas taxas de juros, colheitas fracas e uma série de apostas que não geraram retornos significativos
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  • Fitch Ratings e S&P Global Ratings rebaixaram a Raízen para nível especulativo, deixando a empresa sob observação negativa para possível novo rebaixamento.
  • A medida vem em meio a aperto de liquidez e dificuldades para levantar recursos junto às controladoras Cosan e Shell.
  • A Raízen contratou a Alvarez & Marsal como assessora financeira para fortalecer a posição de liquidez e a estrutura de capital.
  • A empresa busca entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões em aporte de capital, conforme reportado pelo UBS BB Investment Bank no fim do ano passado.
  • Os títulos da Raízen chegaram a sofrer quedas expressivas, com rendimento próximo de 18% para os papéis que vencem em 2037, refletindo o cenário de pressão financeira e possibilidade de reestruturação.

A Raízen teve o rebaixamento de sua nota de crédito para nível especulativo pela Fitch Ratings e pela S&P Global Ratings, em movimento que agrava a pressão sobre a liquidez da empresa. O downgrade ocorre em meio a uma deterioração recente dos preços de seus títulos, que recuaram quase pela metade na semana anterior.

A decisão ampliou a distância em relação ao grau de investimento e intensificou a busca por soluções financeiras. As agências mantiveram as classificações em observação negativa, sinalizando novos rebaixamentos potenciais conforme a situação financeira avança.

A empresa enfrenta dificuldades para captar recursos junto às controladoras Cosan e Shell e contratou a Alvarez & Marsal como assessora financeira, em uma tentativa de fortalecer a posição de liquidez. A medida faz parte dos esforços para reorganizar a estrutura de capital da companhia.

O que motivou o rebaixamento

A Fitch rebaixou a nota em cinco níveis, para B, citando a falha dos acionistas em realizar uma injeção de capital substancial, o desempenho operacional abaixo do esperado e uma liquidez desafiadora. A S&P reduziu em sete níveis, para CCC+, destacando riscos de uma reestruturação que poderia ser interpretada como default.

A Raízen tem listado desafios como altas taxas de juros, safras mais fracas e apostas ainda sem retorno relevante, incluindo etanol de segunda geração e combustíveis de aviação sustentável. Esses fatores influenciam a percepção de risco dos credores.

A avaliação de liquidez aponta necessidade de aporte entre 20 bilhões e 25 bilhões de reais, segundo estimativa do UBS BB Investment Bank no fim do ano passado. As negociações com Cosan e Shell se alongaram sem resultado concreto.

Perspectivas e próximos passos

Em comunicações privadas, a empresa discute cenários possíveis, inclusive uma eventual reestruturação de dívida com haircut, conforme informações de fontes próximas ao assunto. A Raízen informou que está consultando assessores financeiros e jurídicos para explorar opções de fortalecimento da liquidez.

Os títulos em dólares com vencimento em 2037 passaram a negociar perto de 45,5 centavos de dólar, frente a cerca de 80 centavos há uma semana. O rendimento dessas obrigações chegou a cerca de 18%, um salto significativo frente ao início do mês.

As negociações continuam enquanto a empresa avalia caminhos para manter a operação e reduzir o estresse financeiro. As informações foram reportadas por fontes familiarizadas com o assunto e pela Bloomberg.

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