- A Comunidade de Uso Florestal Khorthali, em Dolakha, produziu 1.189 metros cúbicos de madeira em 2025, mas aproximadamente 340 m³ ficaram sem venda à beira da estrada.
- O responsável do escritório florestal distrital afirma que houve falta de interesse de compradores, reflexo de um problema que ocorre em outras regiões do Nepal.
- Em Bara, o escritório florestal registra 2.605 m³ de madeira não vendida; em Nawalpur, são 1.100 m³.
- Na província de Lumbini, a ONG ForestAction Nepal aponta 60.000 m³ de madeira sem venda, resultante de estoques acumulados ao longo de vários locais e anos.
- As altas taxas governamentais, somadas a custos de coleta e à competição de madeira privada e importada, prejudicam as receitas das comunidades e podem estimular madeira ilegal ou afetar a gestão sustentável das florestas.
Kathamandu — Em Dolakha, no centro do Nepal, o Khorthali Community Forest User Group produziu 1.189 m3 de madeira em 2025, equivalentes a cerca de 18 contêineres padrão. No entanto, 340 m3 ficaram sem venda, estocados a beira da estrada. Técnicos dizem que compradores em potencial não aparecem.
O problema se repete em outras áreas do país. Em Bara, existem 2.605 m3 de madeira não vendida, enquanto em Nawalpur a cifra chega a 1.100 m3. Segundo a ForestAction Nepal, 60.000 m3 permanecem sem comercialização apenas na província de Lumbini, acumulados ao longo de vários locais e anos.
A madeira lenta para vender decorre de tributos governamentais altos e da competição com madeira privada e importada. Autoridades locais afirmam que as taxas elevadas encarecem o produto legalmente extraído, dificultando o financiamento de obras de manejo florestal sustentável.
Impostos, preços e competição
O governo estabelece taxas de madeira que, somadas a custos de coleta, elevam o preço final. Conforme o ministério, madeira de espécies como alder, pinheiro, sal e madeira de rosewood segue a classificação A, B e C, com preços totais que superam a madeira de fontes privadas.
Diante disso, muitos compradores preferem madeira privada ou opções importadas, como alumínio, que custam menos. Especialistas destacam que a capacidade de processamento doméstico é limitada, agravando a diferença de preço entre madeira local e alternativas.
Impacto para comunidades e riscos
A falta de venda compromete a receita de grupos comunitários, que utilizam os recursos para financiar planos de manejo, plantio, conservação de trilhas e prevenção de incêndios. Pesquisadores alertam que mercados legais pouco viáveis podem favorecer cadeias informais ou ilegais de extração.
A situação gera preocupação sobre o uso econômico de florestas, sem deixar de reconhecer seu papel ambiental e cultural. Autores locais destacam que o manejo adequado pode trazer benefícios como conservação do solo e retenção de água, além de sustento para comunidades.
Perspectivas e dados oficiais
Dados do Ministério das Finanças indicam produção anual de madeira em torno de 1 milhão de m3, com receita pública superior a 6,9 bilhões de rúpias. Em 2022-23, a produção foi de 900 mil m3, e até março de 2025-26 já haviam sido produzidos cerca de 623 mil m3, gerando receita de cerca de 1,7 bilhão de rúpias.
Autoridades defendem que ajustes na política de preços poderiam ampliar a arrecadação sem comprometer a conservação. O diálogo entre Ministerias de Florestas e de Finanças continua, com consultas sobre possíveis mudanças na tributação.
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