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Mercado de capitais prevê primeiro semestre intenso, diz executivo do Citi

Mercado de capitais no Brasil deve ter primeiro semestre intenso, com apetite externo robusto e impulso a IPOs e ofertas de dívida, diz o Citi

Marcelo Marangon, em foto de 2018: eleição presidencial de outubro no Brasil 'não é uma preocupação no momento'. (Foto: Rodrigo Capote/Bloomberg)
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  • Primeiro semestre de 2026 deve ser intenso no mercado de capitais brasileiro, com apetite de investidores estrangeiros considerado enorme; fluxo líquido de capitais estrangeiros na B3, em janeiro, atingiu R$ 26,3 bilhões.
  • Ibovespa já acumula alta superior a vinte por cento neste ano, entre os melhores do mundo.
  • Marcelo Marangon, CEO do Citi no Brasil, está se mudando para Nova York para assumir o cargo de co-head global de corporate banking; a unidade brasileira pagou R$ 5 bilhões em dividendos em 2025, com lucro de R$ 2,9 bilhões.
  • Margem financeira chegou a R$ 7,1 bilhões, alta de onze por cento; carteira de crédito caiu 5,4%, para R$ 53 bilhões, e atrasos acima de noventa dias representaram 0,8%.
  • Citi participou de duas IPOs nos Estados Unidos em 2026 (PicPay e Agibank) e espera novas listagens no Brasil; ativos da unidade brasileira somam R$ 193 bilhões; a instituição emprega cerca de 2.200 pessoas e planeja ampliar digitalização de processos.

O mercado de capitais brasileiro deve viver um semestre 2026 intenso, segundo Marcelo Marangon, CEO do Citi no Brasil. A projeção é de maior demanda por ativos de mercados emergentes, impulsionada por mudanças globais.

Marangon confirmou à Bloomberg News que está se mudando para Nova York para assumir o cargo de co-head global de corporate banking do Citi. O anúncio ocorre em meio a expectativas positivas para o ano.

Ele disse ainda que é cedo para projetar o segundo semestre, mas destacou que a eleição presidencial de outubro não é uma preocupação no momento. O apetite estrangeiro pelo Brasil, contudo, é visto como fator decisivo.

Fluxo de capitais e resultados recentes

Em janeiro, o fluxo líquido de investimentos estrangeiros na B3 atingiu R$ 26,3 bilhões, superando o volume de todo o ano passado. O Ibovespa avançou mais de 20% neste ano.

O Citi Brasil pagou à matriz R$ 5 bilhões em dividendos no ano anterior, após lucro de R$ 2,9 bilhões, alta de 28% frente 2024. A margem financeira ficou em R$ 7,1 bilhões, alta de 11%.

A carteira de crédito da instituição caiu 5,4%, para R$ 53 bilhões. Marangon afirmou que houve perdas com crédito muito pequenas e que a instituição continuará seletiva na concessão de empréstimos.

Atrasos acima de 90 dias representaram 0,8% da carteira de crédito brasileira. O relatório reflete um cenário de juros elevados, com a taxa básica encerrando 2025 em 15%.

O retorno sobre patrimônio atingiu 22%, impulsionado pelo desempenho do banco de investimento. O substituto de Marangon no Brasil deve ser anunciado no próximo mês, vindo de dentro da própria equipe.

IPOs e operações no Brasil

Neste ano, o Citi participou de duas IPOs nos Estados Unidos, com foco em empresas brasileiras, após um hiato de quatro anos. Entre as operações, esteve a oferta do PicPay e a estreia do Agibank, em preço definido em 10 de fevereiro.

O banco atuou em 27 operações envolvendo títulos brasileiros no ano passado, segundo dados da Bloomberg. O Citi Brasil mantém índice de capital de 13% e vê espaço para novas operações.

O total de ativos da unidade brasileira alcançou R$ 193 bilhões, com depósitos de clientes corporativos subindo 15%, para R$ 93 bilhões. A instituição emprega cerca de 2.200 pessoas.

Perspectivas e investimentos

O Citi Brasil não atua no varejo, concentra-se em gestão de fortunas fora do país e atende clientes de alta renda. A firma planeja ampliar a digitalização de processos, especialmente em câmbio e gestão de liquidez.

Marangon citou que os lucros recorrentes devem permanecer robustos, sustentados por investimentos em tecnologia e soluções estratégicas para o negócio corporativo. O discurso reflete uma visão de continuidade na atuação no Brasil.

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