- Banco do Brasil pretende frear o crédito no agronegócio em 2026, com crescimento da carteira no ponto médio do guidance em -2,0% a +2,0%.
- A meta de retorno sobre patrimônio líquido (ROE) deve ficar entre 14% e 16% como etapa intermediária, antes de mirar 20%.
- Em 2025, o lucro líquido ficou em R$ 20,68 bilhões, queda de 45,4% ante 2024; em 2026 a projeção é de alta de 15%, para R$ 24 bilhões.
- O ROAE acumulado de 2025 ficou em 11,4%, abaixo dos 21,4% de 2024; o rendimento caiu para 8,4% no 2º e 3º trimestres.
- A instituição conta com a Medida Provisória 1.314 para lançar linha de R$ 12 bilhões destinada à renegociação de dívidas de produtores rurais.
O Banco do Brasil projeta frear o crédito rural em 2026 para elevar a rentabilidade. A ideia é que a redução do apetite no agro ajude a melhorar o ROE para a faixa entre 14% e 16%, antes de buscar novamente o patamar de 20%. A CEO Tarciana Medeiros chamou 2025 de o mais desafiador de sua carreira diante da inadimplência no setor.
Segundo a gestão, o agro segue como o maior motor de risco para o banco, mesmo sendo o principal financiador do segmento no Brasil. A carteira total do banco destinada ao agro hoje representa cerca de um terço do portfólio, aproximadamente R$ 406 bilhões. A projeção para 2026 aponta crescimento zero da carteira no ponto médio do guidance.
A administração informou que a queda do resultado em 2025 decorreu de safras difíceis e de maior volume de recuperações judiciais no setor. O lucro líquido anual ficou em R$ 20,68 bilhões, queda de 45,4% frente a 2024. A expectativa para 2026 é de alta de 15% no lucro, com saldo previsto de R$ 24 bilhões.
Agro: desempenho e estratégias
O retorno sobre patrimônio líquido médio (ROAE) ficou em 11,4% em 2025, abaixo dos 21,4% de 2024, com o ROE chegando a 8,4% no 2º e 3º trimestres. O banco já havia informado que retomaria dois dígitos de ROE no 4º trimestre e agora mira a faixa entre 14% e 16% em 2026, conforme o ritmo de recuperação agrícola e eficiência de cobranças.
A expectativa envolve também o uso da Medida Provisória 1.314, que autorizou uma linha de crédito de R$ 12 bilhões para renegociar dívidas de produtores. A perspectiva é que esse instrumento reduza o volume de inadimplência e de clientes com RJ. A liderança destacou que a MP deve contribuir para arrefecer impactos adversos no setor.
No âmbito de atuação, Geovanne Tobias, CFO, ressaltou que a velocidade de recuperação depende de agricultores e da eficiência de cobrança. Felipe Prince, CRO, enfatizou a expectativa de redução de volumes problemáticos com a MP. As ações do BB reagiram inicialmente com alta na sessão, mas avançaram com ganhos mais moderados ao longo do dia.
Pessoas físicas e mudanças estratégicas
Com o objetivo de diversificar o portfólio, o BB planeja crescer na pessoa física entre 6% e 10% em 2026, reduzindo a dependência do agro. A instituição pretende acelerar crédito consignado público e privado, segmentos em que já lidera o mercado público e busca ampliar participação no privado para 20%.
Entre as ações anunciadas, consta a volta de estratégias para clientes de alta renda, incluindo inauguração de uma sala VIP em Guarulhos, para atender esse público. O banco também reforça o foco em clientes de longo prazo com histórico estável de inadimplência.
A administração reiterou que 2026 trará mudanças graduais na composição de resultados, com encolhimento de algumas linhas e expansão de outras, principalmente em crédito consignado, imóveis e previdência. O portfólio de pessoa física é apontado como a maior aposta para manter a estabilidade financeira.
As informações foram apresentadas pelo BB em coletiva de imprensa após a divulgação dos resultados de 2025. A instituição continua mantendo o compromisso de manter uma gestão responsável de risco, com foco na rentabilidade e na sustentabilidade do negócio.
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