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Biodiversidade gera retorno econômico, aponta estudo empresarial

Biodiversidade deixa de ser tema ambiental e vira risco financeiro sistêmico para empresas, com $7.3 trillion em impactos e divulgação limitada

Aerial view of mangroves, coral reef, palm trees, and forest in Raja Ampat. Photo by Rhett Ayers Butler
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  • Um relatório da IPBES apresentado em Manchester afirma que a perda de biodiversidade é um risco financeiro sistêmico para empresas, estabilidade financeira e crescimento de longo prazo.
  • Em 2023, cerca de 7,3 trilhões de dólares em financiamento público ou privado tiveram impactos diretos negativos na natureza; cerca de dois terços vieram de finanças privadas, enquanto apenas 220 bilhões foram para conservação e restauração.
  • Subvenções prejudiciais somaram aproximadamente 2,4 trilhões de dólares, evidenciando que mercados e políticas ainda recompensam degradação mais do que preservação.
  • A mensagem para as empresas é prática: a perda de biodiversidade pode causar riscos físicos (como quedas de safra) e transição (regulamentação mais rígida e mudança de expectativas dos consumidores).
  • O relatório aponta barreiras à avaliação de riscos ligados à natureza — dados, modelos e cenários confiáveis — e lança uma estrutura de métodos, destacando incentivos como ferramenta central para alinhar lucro e conservação.

Em Manchester, governos aprovaram um relatório da IPBES que coloca a biodiversidade como tema econômico relevante. A avaliação defende que a perda de natureza representa risco sistêmico para empresas, estabilidade financeira e crescimento.

O estudo afirma que todo negócio depende de ecossistemas vivos, direta ou indiretamente. Polinização, fertilidade do solo, bacias hidrográficas estáveis e regulação climática sustentam atividades diversas ao longo da cadeia de valor.

Entre 1992 e hoje, o capital natural caiu cerca de 40% por pessoa, enquanto o capital produzido quase dobrou. O crescimento econômico não acompanha a preservação do patrimônio natural.

Em 2023, estima-se que 7,3 trilhões de dólares em finanças públicas e privadas financiaram atividades com impactos negativos sobre a natureza. Duas terças partes desse montante vieram do setor privado.

Por outro lado, apenas cerca de 220 bilhões de dólares foram destinados à conservação e restauração. Subsídios prejudiciais somaram aproximadamente 2,4 trilhões de dólares. O desequilíbrio é evidente.

Há impactos práticos para as empresas, segundo o relatório. Perdas de biodiversidade elevam riscos físicos, como falhas de safras, e riscos de transição, com regulações mais duras e mudanças na percepção do consumidor.

Alguns impactos podem alcançar pontos de virada ecológicos, com consequências difíceis de reverter. Os autores descrevem esses efeitos como riscos sistêmicos que podem abranger setores inteiros.

Desafios de dados e métricas

A divulgação sobre biodiversidade continua restrita. Menos de 1% das empresas com reporte público citam impactos relativos à natureza. Instituições financeiras respondem por cerca de 30% da capitalização mundial, citando dados, modelos e cenários como barreiras.

Não há uma métrica única recomendada. O documento apresenta um framework com escolhas metodológicas diversas, dependendo do objetivo. Dados locais, avaliação de ciclo de vida e modelos macro são sugeridos conforme o contexto.

A avaliação sugere que, sem mudanças políticas, financeiras ou sociais, ações voluntárias não basta. Reformas de subsídios, divulgação obrigatória e instrumentos financeiros são apontados como caminhos.

Incentivos e políticas

Incentivos atuais costumam favorecer degradação em vez de restauração. A regeneração ecológica leva décadas, enquanto resultados aparecem em curto prazo nos balanços. Sugere-se maior transparência, práticas empresariais mais compatíveis com conservação e reformas regulatórias.

O relatório também destaca preocupações distributivas. Cerca de 60% das terras indígenas estão sob desenvolvimento industrial, e quase um quarto de territórios indígenas sofrem pressão de recursos naturais. O conhecimento tradicional não é amplamente incorporado à gestão de risco.

A cooperação entre empresas, governos e comunidades pode melhorar a gestão de riscos. O estudo sugere que maior participação de comunidades locais nas decisões de negócios fortalece a resiliência econômica.

A avaliação não prevê colapso imediato. Tampouco garante lucros com conservação. O foco é ampliar o espaço de atuação de mercados ao evitar a erosão contínua de ecossistemas.

Perspectiva econômica

A visão desloca a biodiversidade de um apelo moral para uma condição econômica. O tema é entender como a natureza afeta resultados de negócios, não apenas como a atividade humana a impacta.

Se a natureza é um ativo, ele está subvalorizado e superexplorado. A resposta empresarial e financeira a esse quadro moldará resultados ambientais e a resiliência da economia.

  • Jones, M. et al. IPBES Business and Biodiversity Assessment: Summary for Policymakers. Zenodo, 2026.

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