- Os líderes da União Europeia se reúnem em Alden Biesen, Bélgica, para discutir a ideia de “Buy European” e a possibilidade de favorecer empresas europeias em setores estratégicos.
- A proposta, defendida por França, visa aumentar o conteúdo europeu em compras públicas de áreas como tecnologias limpas e equipamentos industriais.
- Críticos do Norte da Europa alertam que a preferência europeia pode complicar regulações e afastar investimentos, pedindo cautela.
- Alemanha e Itália evitam se posicionar firmemente, defendendo menos regulamentação e maior agilidade em acordos comerciais, incluindo questões com Mercosul.
- Ursula von der Leyen sinalizou que a preferência europeia é necessária em setores estratégicos, mas enfatizou que toda proposta precisa de análise econômica robusta e conformidade com compromissos internacionais.
Os líderes da União Europeia se reunem para discutir a possível adoção de uma política de preferência por empresas europeias, conhecida como Buy European, em meio a dúvidas sobre a competitividade econômica do bloco. O encontro acontece em Alden Biesen, no leste da Bélgica, em um castelo cercado por muros. A ideia volta a ganhar relevância diante de pressões de competição com EUA e China.
A discussão ocorre no contexto de vulnerabilidades econômicas reveladas pela redução do gás russo em 2022, guerras comerciais e subprocessos de subvenção estatal na China. A Comissão Europeia planeja apresentar, ainda neste mês, o Industrial Accelerator Act para estabelecer metas de conteúdo europeu em produtos estratégicos como painéis solares e veículos elétricos.
Posições em jogo
O presidente francês, Emmanuel Macron, defende que a preferência europeia deve mirar setores estratégicos como tecnologia limpa, produtos químicos, aço, automotivos e defesa para evitar a desvantagem diante da concorrência. O objetivo é defender o espaço europeu sem comprometer obrigações internacionais.
Críticos de países nórdicos, Bálticos e Holanda temem que a política gere regulações adicionais e afete investimentos. O premier sueco, Ulf Kristersson, expressou ceticismo em relação a qualquer agenda protecionista, ressaltando a necessidade de manter o comércio aberto.
Divergências entre grandes parceiros
Na Alemanha, o chanceler Friedrich Merz e a italiana Giorgia Meloni defendem menos regulação e maior foco em desregulamentação e acordos comerciais. Ainda assim, divergências sobre tratados como o Mercosul aparecem entre Paris e Berlim, com Macron rejeitando o acordo, enquanto Merz defende a sua rápida implementação.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, adotou tom cauteloso. Ela reconhece a Buy European como instrumento estratégico, mas reforça que propostas devem estar embasadas em análises econômicas robustas e em obrigações internacionais.
Agenda do encontro
Além da Buy European, o encontro aborda desregulamentação, mercados de capitais fragmentados e barreiras ao mercado único que dificultam investimentos verdes e digitais. A reunião também contará com mensagens de ex-primeiros ministros italianos, Draghi e Letta, sobre o estado da economia europeia.
Von der Leyen indicou a possibilidade de avançar com reformas para integrar os mercados de capitais da UE, mesmo sem consenso entre 27 membros. O objetivo é remover barreiras que prejudicam a transformação econômica e elevar a posição europeia no cenário global.
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