- A Selic está em 15% ao ano, e o crédito rural segue sendo ampliado pelas cooperativas, mesmo com maior seletividade.
- Sicredi liberou R$ 39 bilhões no primeiro semestre do Plano Safra 2025/2026, alta de 11%; encerrou 2025 com carteira agro de R$ 120 bilhões, crescimento de 13,5%.
- Sicoob mostrou operações de R$ 4,2 bilhões no Show Rural Coopavel 2026, sendo R$ 3,4 bilhões em crédito rural e CPR‑F; carteira do sistema em 2025 subiu 17%, com meta de +20% para 2026.
- Cresol liberou R$ 10,2 bilhões no Plano Safra 2025/2026 até 10 de fevereiro, distribuídos em mais de 87 mil propostas; ticket médio de R$ 117,6 mil; atuação centrada no Pronaf, com mil agências no país.
- O cenário aponta crédito cada vez mais técnico e seletivo, com CPR crescendo 37% entre julho de 2025 e janeiro de 2026 e investimento recuando 20%; as cooperativas funcionam como amortecedores regionais preservando liquidez local.
Ao Show Rural Coopavel, realizado de 8 a 13 de fevereiro em Cascavel (PR), cooperativas de crédito avançam no crédito rural mesmo com juros elevados e maior seletividade. Sicredi, Sicoob e Cresol destacam expansão de carteira e atuação local, reforçando financiamento da safra e suporte técnico aos produtores.
O Sicredi informou que liberou 39 bilhões de reais no primeiro semestre do Plano Safra 2025/2026, 11% acima do mesmo período do ciclo anterior. A carteira agro da instituição fechou 2025 em 120 bilhões, alta de 13,5%, fortalecendo operações em linhas como Pronaf e Pronamp no Paraná.
No cenário macro, dados do Banco Central indicam que, entre julho de 2025 e janeiro de 2026, o crédito empresarial contratado avançou 6% para 316,57 bilhões de reais. As CPRs tiveram crescimento robusto, com 37% de expansão, enquanto linhas de investimento recuaram 20%.
O atual ciclo de crédito demonstra menos contratos, tíquetes médios maiores e maior uso de instrumentos privados. O crédito não desaparece, apenas torna-se mais técnico e concentrado na produção imediata. O cooperativismo funciona como amortecedor regional, mantendo recursos circulando entre associados e liquidez local.
Custos mais altos elevam o rigor técnico. Produtores priorizam custeio e eficiência diante da volatilidade climática. O Sicredi registrou, em 2025, mais de 34 bilhões de reais em repasses via BNDES, com 11 bilhões no ano passado destinados a programas agropecuários. A instituição lidera em Pronaf e Pronamp no Paraná.
Durante a Coopavel, o Sicredi disponibilizava até 2,5 bilhões de reais em crédito para produtores, apoiado pela expectativa de uma safra de verão robusta. Além do crédito tradicional, a cooperativa ampliou atuação em consórcios e seguros, com 15 bilhões de créditos ativos de consórcio em 2025, sendo 3,2 bilhões voltados ao agro, e 113 mil apólices de seguro rural.
O Sicoob, por sua vez, acelerou negócios na vitrine tecnológica do agronegócio paranaense, registrando 4,2 bilhões de reais em operações protocoladas no Show Coopavel 2026, sendo 3,4 bilhões em crédito rural e CPR-F. A carteira do sistema cresceu 17% em 2025, acima da referência do Sistema Financeiro Nacional, e a meta para 2026 é ampliar 20% mesmo com o ambiente restritivo.
Para 2026, o Sicoob mantém a estratégia de presença territorial, com mais de 4,7 mil pontos de atendimento. Ênio Meinen, diretor de Coordenação Sistêmica, destacou que o associado participa da gestão e compreende a responsabilidade do crédito, que deve acompanhar a realidade da propriedade.
A Cresol, com foco na agricultura familiar, liberou até 10 de fevereiro 10,2 bilhões de reais no Plano Safra 2025/2026, distribuídos em mais de 87 mil propostas. O ticket médio ficou em 117,6 mil reais, com predomínio do custeio (64,6%).
Com 30 anos de atuação, a Cresol soma 53 bilhões em ativos e 43 bilhões em carteira de crédito total. No agro, registrou mais de 56,5 bilhões liberados ao longo da trajetória, com forte participação no Pronaf. A cooperativa atingiu mil agências, sendo 75% em municípios com até 50 mil habitantes, contribuindo para a ampliação de crédito em regiões menos atendidas.
Em meio à retração de fontes não controladas, as cooperativas sinalizam reorganização estrutural do financiamento rural. A CPR passou a responder por 47% do total do ciclo atual, ante 34% na safra anterior, evidenciando mudança de perfil de crédito no setor.
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