- O bitcoin fica abaixo de US$ 70.000 (R$ 364.000), caindo cerca de 50% desde as máximas de outubro, enquanto as DATs detêm em conjunto cerca de US$ 150 bilhões em criptomoedas, em mais de duas centenas de empresas.
- As tesourarias de ativos digitais sofrem com descontos cada vez maiores em relação ao valor de mercado das criptomoedas que mantêm, com perdas expressivas em a Strategy e na BitMine Immersion Technologies.
- O cenário aumenta a pressão de venda à medida que alguns DATs perdem liquidez e enfrentam quedas adicionais, complicando o modelo de compra contínua de criptoativos.
- Exemplos práticos: a ETHZilla vende parte de ETH (US$ 139 milhões) para comprar dois motores de aeronave por US$ 12,2 milhões; a empresa planeja tokenizar ativos do mundo real, como hipotecas de casas modulares.
- O ambiente leva a questionamentos sobre viabilidade de valor para as DATs, com debates sobre possíveis fusões e alternativas de captação, como notas conversíveis, enquanto investidores permanecem cautelosos.
As criptomoedas voltaram a recuar, com o bitcoin abaixo de US$ 70 mil, queda de cerca de 50% desde outubro. Empresas que atuam como tesourarias de ativos digitais, as DATs, sofrem o mesmo impulso de baixa, ampliando perdas e pressionando balanços.
Ao fim de 2025, mais de 200 DATs acumulavam aproximadamente US$ 150 bilhões em criptomoedas. A consagrada Strategy, maior defensora dessas tesourarias, viu seu valor despencar, enquanto diversas companhias menores operam com desconto significativo em relação ao valor das reservas.
O cenário piorou com a queda dos tokens; as DATs, que já operavam com descontos, entraram em ritmo de queda mais acelerado do que os ativos subjacentes. A volatilidade elevou perdas contábeis e dificultou a continuidade de compras, modelo defendido por nomes como Michael Saylor.
Armadilhas do momento
A Artemis aponta que, no agregado, as DATs registram perdas superiores a US$ 20 bilhões. A Strategy destacou um prejuízo operacional de US$ 17,4 bilhões no quarto trimestre de 2025, e suas ações recuaram quase 70% nos últimos seis meses. A BitMine Immersion Technologies acumula perdas não realizadas de US$ 8,1 bilhões.
Mesmo com o recuo, muitas DATs mantêm mNAV próximo de 1,0, sinalizando prêmio ou desconto leve nas criptomoedas, mas dezenas de players menores negociam com descontos profundos. Isso complica captação de recursos e questiona a razão de existir dessas tesourarias.
Especialistas observam que algumas empresas atuavam como apostas oportunistas sem estratégia estruturada. A volatilidade elevada e o desenho de governança passaram a criar pressões de venda, repercutindo nos preços dos ativos.
O que mudou na prática
Algumas DATs chegaram a aumentar posições perto do topo do mercado, sem gestão de caixa conservadora. Com isso, a liquidez fica comprometida e a venda de ativos é mais provável diante de novas necessidades de caixa.
Casos práticos surgem com a ETHZilla, que vendeu ETH para financiar a compra de motores de aeronave, alugados a uma grande companhia aérea. A empresa argumenta que o foco é gerar fluxo de caixa a partir do ativo, incluindo planos de tokenizar ativos do mundo real.
Caminhos e dilemas
Especialistas destacam que consolidar o setor não é simples, dada a necessidade de liquidez e governança. Estruturas como notas conversíveis foram sugeridas por bancos, oferecendo capital com conversão apenas acima de 1,0 vez o mNAV, mas o interesse é limitado.
Algumas DATs avaliam mudanças estratégicas, incluindo aquisições ou fusões, apesar das dificuldades de negociação e aprovação entre acionistas, principalmente em cenários de liquidez restrita.
Olhando adiante
Investidores acompanham se empresas com tesouraria de criptoativos conseguem transformar reservas em valor real, ou se ficam presas a balanços com desconto persistente. O desempenho do bitcoin e de demais tokens continua a ser o principal motor dessa avaliação.
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