- A ação do Grupo Pão de Açúcar acumula queda de vinte e cinco por cento neste ano, em contraste com o avanço de quarenta e cinco por cento no ano anterior.
- A empresa tem uma das maiores vendas a descoberto da bolsa, equivalente a twenty por cento do capital, e enfrenta um desafio de queima de caixa há meses.
- O fluxo de caixa livre operacional mostrou melhoria em 2025, chegando a R$ 744 milhões de janeiro a setembro, mas o custo financeiro ficou em R$ 806 milhões; as despesas totais também superaram o caixa disponível, gerando um déficit de R$ 780 milhões no período.
- Mudanças no comando ocorreram ao longo do ano, com três CEOs nos últimos quatro meses; o CFO interino foi substituído por Pedro Albuquerque, contratado em fevereiro.
- A solução apontada por sources é um aumento de capital entre R$ cinqüento e setecentos milhões, além de ajustes operacionais e redução de custos; uma assembleia está marcada para 27 de março para eleger o novo conselho e discutir outras medidas, como a retirada do poison pill.
O Grupo Pão de Açúcar (GPA) encara dificuldade para fechar as contas, ao contrário da valorização da Bolsa. As ações do grupo caíram cerca de 25% neste ano, após alta de 45% no ano anterior, estimulada pela expectativa de novos acionistas.
Segundo apuração, o GPA mantém uma das maiores vendas a descoberto da bolsa, equivalente a 20% do capital. A taxa de queima de caixa preocupa investidores e analistas que acompanham a reestruturação financeira.
O problema central é a queda recorrente de fluxo de caixa. Em contrapartida, a geração de caixa não tem sido suficiente para cobrir despesas e custos da dívida, que somava cerca de R$ 4 bilhões no fim de setembro, último trimestre divulgado.
O fluxo de caixa livre operacional melhorou em 2025, atingindo R$ 744 milhões de janeiro a setembro, ante R$ 365 milhões nos nove meses anteriores. No entanto, o custo financeiro ficou em R$ 806 milhões no período.
Despesas e cenário de caixa
As despesas totais entre janeiro e setembro somaram R$ 718 milhões, incluindo processos trabalhistas, acordos tributários, fechamento de lojas e honorários de advogados. Faltaram R$ 780 milhões para fechar a conta. Em 2024, o rombo foi de R$ 1 bilhão.
A empresa classifica a maior parte dessas despesas como não recorrentes, mas pessoas com conhecimento do tema indicam que grande parte dos desembolsos tende a se repetir nos próximos anos.
Ao longo de 2024, o GPA realizou mudanças no conselho e, nos últimos quatro meses, teve três CEOs. Alexandre Santoro assumiu no início de janeiro, substituindo Rafael Russowsky, que ocupava o cargo interinamente desde outubro.
Estrutura de acionistas e estratégia
Fontes ligadas à companhia dizem que a solução para equilibrar as contas passa pela possibilidade de um aumento de capital entre R$ 500 e R$ 700 milhões, já que o GPA está estimado em cerca de R$ 1,5 bilhão de Valor de Mercado. O Casino detém 22,5% e busca comprador para sua participação.
Apesar de cortes de custos já realizados, a percepção entre analistas é de que apenas uma injeção de recursos pode sustentar o negócio. Muitos apontam necessidade de ganhos operacionais adicionais antes de avançar para um aumento de capital.
O grupo Coelho Diniz tornou-se, em agosto, o maior acionista do GPA com 24,6%; André Coelho Diniz participa da gestão da rede de supermercados que dirige em Minas Gerais. Avalia-se que a experiência em varejo pode orientar mudanças de médio prazo.
Operação e governança
Especialistas citam que gastos com consultorias, tecnologia e advogados refletem passivos herdados de épocas anteriores. O GPA busca se adaptar à nova realidade operacional, com foco em lojas existentes, especialmente em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
O novo CFO, Pedro Albuquerque, contratado em fevereiro, tem como missão rolar a dívida de R$ 1,5 bilhão que vence neste ano, com parcelas previstas para maio, junho e dezembro. A gestão também enfrenta passivos tributários estimados em cerca de R$ 16 bilhões.
Além disso, o GPA precisa resolver acordos e disputas tributárias para desfechos mais favoráveis, com apenas R$ 2 bilhões provisionados. Em 2024, houve acordo com o governo de São Paulo para quitar débitos de ICMS com desconto expressivo.
Perspectiva e próximo passo
A assembleia prevista para 27 de março deve tratar da eleição de um novo conselho e da retirada do poison pill que pode motivar uma OPA. A direção atual busca estabilidade para consolidar melhorias operacionais antes de novas estratégias de capital.
A publicação do quarto trimestre de 2025 está marcada para a próxima semana. Enquanto isso, a volatilidade acompanha o papel, com quedas no pregão, refletindo a baixa liquidez e o ambiente de incertezas sobre o alinhamento entre receita, custos e dívida.
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