- Lagos gera cerca de 5,5 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano, e o sistema formal trata menos da metade desse volume.
- Estima-se que 40% do lixo seja reciclável, mas menos de 12% é recuperado; mais de 60% continua não gerido.
- Pakam Technology Limited promove reciclagem com o programa Earn-As-You-Waste, já usado por 18.000 pessoas para solicitar coletas.
- Os recicladores levam os materiais coletados para um hub de agregação em Maryland, de onde são vendidos a indústrias de reciclagem; a operação ocorre em áreas como Ojuelegba.
- Desafios incluem remuneração baixa (cerca de 35.000 naira por semana, ~US$ 30) e aplicação irregular de regulamentações, além de questões logísticas e de conscientização.
O Lagos, estado mais populoso da Nigéria, gera cerca de 5,5 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano. O sistema formal de gestão atinge menos da metade desse total, deixando casas e empresas sem manejo adequado. Estima-se que 40% desse lixo seja reciclável.
Startups privadas tentam ampliar a coleta de recicláveis. Pakam Technology Limited opera o programa Earn-As-You-Waste, que afirma ter mobilizado 18 mil pessoas para coletar plásticos, latas e papel, por meio de aplicativo. Coletores recebem treinamento para selecionar, pesar e transportar os materiais.
Para muitos moradores e criadores de lixo, a coleta é um desafio diário nos bairros, como Ojuelegba. O material acaba em pilhas, em sarjetas e bueiros, dificultando a drenagem e contribuindo para enchentes.
From street pickup to sorting hub
Adeolu, morador de Lagos, participou da sessão informativa da Pakam e passou a atuar como coletor. A empresa diz que a coleta ocorre mediante pedidos via app, com pontos de dados para rastrear o material.
O destino é o centro de agregação de Pakam, em Maryland, a cerca de 10 quilômetros, onde o material é separado antes de ser vendido a empresas de reciclagem. A iniciativa afirma já ter recuperado mais de 170 mil toneladas desde 2021.
Pakam descreve o modelo como forma de ampliar o acesso à reciclagem e incentivar melhores hábitos de descarte. Olumide Ajayi, diretor executivo, ressalta ganhos de empregabilidade para jovens na área ambiental.
Recycling meets reality
Os coletores recebem cerca de 35 mil naira por semana, equivalente a aproximadamente 30 dólares, valor inferior a outras atividades manuais na cidade. A renda varia conforme o volume e tipo de material recolhido.
Diversos moradores perdem o interesse quando o pagamento não corresponde às expectativas, e alguns acusam irregularidades quando grandes empresas fecham contratos diretamente com clientes, contornando coletores.
A aplicação permite calcular pagamentos por quilo de plástico, alumínio ou papelão, com faixas de remuneração típicas entre 18 e 35 dólares semanais para famílias. A logística comunitária é destacada como vantagem do sistema.
Rita Idehai, fundadora da Ecobarter, aponta desperdícios de recursos na cidade por falta de conscientização e infraestrutura. Ela vê reciclagem como ferramenta para reduzir obstruções de drenagem e mitigar riscos climáticos.
Idehai também cita a regulação inconsistente como entrave: leis de plástico de uso único e exigência de coleta seletiva são anunciadas, mas pouco aplicadas. inflação alta tem pressionado operações de reciclagem no estado.
Mesmo diante dos desafios, pessoas como Adeolu continuam a atuar com a expectativa de transformar lixo em renda. Ele afirma que a demanda por serviços de coleta cresce e que a comunidade reconhece o potencial econômico do lixo reciclável.
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