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Folha de S. Paulo afirma que você trabalha pouco

Folha de S. Paulo aponta que brasileiro trabalha menos que a média mundial, deslocando o debate da produtividade para uma leitura moral do trabalhador

O fim da desumana escala 6x1 tornou-se uma bandeira bastante popular nos últimos anos – Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil
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  • A Folha de S. Paulo trouxe a manchete “Brasileiro trabalha menos que a média mundial, aponta ranking”, com base em levantamento de Daniel Duque (FGV Ibre) que usa um banco global de horas trabalhadas em 160 países.
  • Em 2022–2023, a média global foi de 42,7 horas por semana; no Brasil, seriam 40,1 horas semanais. Entre 86 países com dados de longa data, o Brasil ficaria em 38º lugar; ajustando por produtividade e demografia, cai para o 60º.
  • A reportagem levanta a ideia de que o Brasil deveria mirar países com mais horas de trabalho, não necessariamente os que reduziram jornadas, o que gerou crítica de setores que veem a abordagem como juízo moral sobre trabalhadores.
  • Críticas ao tom da matéria vêm de líderes sindicais e empresariais; o presidente da Confederação Nacional do Transporte ressalta que o debate deve ocorrer com calma, e estimativas de bares e restaurantes apontam aumento de 7% no custo por hora e 20% nos gastos para contratar mais funcionários.
  • Estudos e notas técnicas citados destacam variações setoriais, com custo médio da hora trabalhada estimado em cerca de 7,84% em alguns cenários; a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro aponta possíveis perdas significativas, enquanto especialistas ressaltam que menores jornadas podem exigir ganhos de produtividade e investimentos.

Em meio à batalha pelo fim da escala 6×1, o debate sobre produtividade e custos da transição volta ao radar do Congresso e da imprensa. A pauta envolve governo, empresários e trabalhadores, com protestos e apoios mobilizados nos bastidores.

A Folha de S. Paulo trouxe à tona a discussão com uma manchete que afirma ter identificados índices de que o brasileiro trabalha menos que a média global. A reportagem baseia-se em um levantamento de Daniel Duque, do FGV Ibre, usando um banco de dados mundial com dados de 160 países e cobertura de 97% da população. O texto analisa a jornada de trabalho brasileira em 2022-2023 e compara com a média global.

Segundo o estudo, a média mundial foi de 42,7 horas semanais em atividades remuneradas, enquanto o Brasil registrou 40,1 horas semanais quando consideradas todas as atividades formais e informais. Em uma leitura mais ampla, o Brasil figura na 38ª posição entre 86 países com dados históricos, e, ao ajustar por produtividade e demografia, fica no terço inferior, em 60º lugar.

Cenário de custos e impactos setoriais

A cobertura aponta que, para especialistas, o Brasil deveria mirar metas de jornadas mais elevadas de horas de trabalho, em linha com alguns países com jornadas mais longas, ainda que a discussão atual trate da redução da jornada para níveis observados em nações com maior produtividade.

Entre representantes do setor produtivo, há vozes contrárias à proposta. O presidente da CNT afirma que o debate exige cautela e rejeita votações apressadas com foco eleitoral. No segmento de bares e restaurantes, estima-se que a implantação da jornada reduzida possa exigir contratação de mão de obra adicional, elevando custos e impactando preços ao consumidor.

Nesta segunda, a Folha publicou também um artigo de técnicos do Ipea com estimativas de aumento médio de quase 7,8% no custo da hora trabalhada, mantendo salários nominais. Os efeitos variam por setor: serviços financeiros, saúde e educação teriam impactos menores, enquanto vestuário, construção e agropecuária apresentariam aumentos maiores.

Perspectivas de produtividade e organização

O relatório técnico ressalta que os efeitos dependem da capacidade de reorganização produtiva, do ritmo de implementação e de ganhos de produtividade. Em média, o gasto total das empresas poderia subir menos de 5% na maior parte dos setores analisados.

Do lado patronal, há projeções que chegam a cenários mais severos, incluindo possível elevação do desemprego e retração do PIB na hipótese de ausência de ganhos de produtividade. Especialistas também destacam que reduções de jornada anteriores, como a transição de 48 para 44 horas na Constituição de 1988, não geraram os efeitos catastróficos previstos.

Visões técnicas e argumentos dos profissionais

Analises de especialistas ressaltam que a responsabilidade pela produtividade não recai apenas sobre o trabalhador; investimento em tecnologia, formação e melhoria de processos são fatores centrais. Debates em veículos de mídia setorial também destacam experiências internacionais em que a redução da jornada coincidiu com ganhos de produtividade e menor rotatividade, desneutralizando a ideia de que menos horas equivalem a menos riqueza.

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