- Relatório de pior-case da Citrini apresenta cenário em que a IA avanços leva o mundo a atravessar dois anos de impactos severos até 2028, gerando pânico no mercado.
- Setores mais afetados: pagamentos, consumo cíclico e software; IBM caiu cerca de 13% após notícia de que a IA pode atualizar COBOL e reduzir a demanda por consultorias.
- Em 2027, os LLMs seriam usados de forma generalizada, com decisões de compra automatizadas e redução de fricção humana, diz o exercício.
- Consequência: consumo despenca, desemprego sobe, produtividade aumenta, mas a riqueza se concentra; o crédito privado entra em crise de liquidez e o mercado imobiliário sofre.
- Governo avalia medidas como Transition Economy Act e Shared AI Prosperity Act para distribuir dividendos da IA; analistas destacam a necessidade de novos modelos econômicos.
O exercício de pior cenário traçado pela Citrini Research aponta um colapso global causado pelo rápido avanço da inteligência artificial. Segundo o estudo, a onda de adoção desaba mercados inteiros em apenas dois anos, gerando pânico entre investidores. A notícia ganhou força nesta semana no mercado financeiro.
O relatório, com data projetada para 30 de junho de 2028, imagina uma sequência de fatos que teriam início ainda em 2026. A premissa central é que a IA replicaria funcionalidades de SaaS, deslocando o mercado de software e afetando o poder de negociação das empresas do setor.
Em 2027, o uso de grandes modelos de linguagem seria universal, levando à tomada de decisões automáticas em compra e reduzindo a atuação humana. Nesse cenário, áreas de recomendação, serviços de delivery e setores de pagamentos sofreriam quedas acentuadas, com impactos na renda e no consumo.
Desdobramentos econômicos e setoriais
A reportagem descreve a substituição de empregos por IA em áreas qualificadas, como finanças e desenvolvimento de software, elevando o desemprego e reduzindo o consumo. O efeito seria o surgimento do chamado PIB fantasma, com alta produtividade, mas menor circulação de renda.
O crédito privado entraria em crise, com empresas de software e tecnologia enfrentando dificuldades de financiamento. Reguladores pressionariam por maior capital de garantia, agravando a liquidez do setor. O mercado imobiliário também sentiria o impacto, com inadimplência mais comum.
A Índia, economia de serviços, seria fortemente afetada, exigindo medidas governamentais para sustentar renda. Nos EUA, o governo avaliaria criar instrumentos de apoio, como impostos sobre processamento de IA e fundos para distribuir dividendos do setor às famílias.
A Citrini ressalta que a escassez de mão de obra humana foi historicamente um motor de evolução, mas o cenário atual sugere mudanças profundas. A equipe liderada por Alap Shah afirma que é preciso adaptar modelos econômicos para um mundo onde o insumo escasso se tornou abundante.
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