- Na segunda-feira, 23 de fevereiro, ações de software caíram após um artigo da Citrini Research apresentar um cenário sombrio sobre IA e economia, falando em “PIB fantasma” e desemprego em massa.
- As ações que mais pesaram foram Datadog, CrowdStrike e Zscaler, cada uma caindo mais de nove por cento; IBM recuou treze por cento, o pior desempenho diário desde 2000.
- Outras grandes perdas incluíram American Express (cerca de sete por cento) e JPMorgan, Citigroup e Morgan Stanley (acima de quatro por cento); Mastercard e Visa também recuaram acima de quatro por cento.
- O texto viralizou no Substack como um “exercícío mental” que imagina 2028 com desemprego de 10,2 por cento e queda de quase quarenta por cento do S&P, gerando crise por substituição de trabalhadores por IA.
- Reações de veículos estrangeiros destacaram que o movimento reflete a sensibilidade do mercado a cenários de IA, com debates sobre a real influência da tecnologia e da adaptabilidade humana.
O slogan de um texto viral sobre IA provocou forte movimentação no pregão de ações de tecnologia na segunda-feira (23/2). O caso envolve um artigo que antecipa cenários catastróficos para a economia global com a ascensão da inteligência artificial, gerando desvalorização de ações.
Datadog, CrowdStrike e Zscaler registraram quedas superiores a 9% na sessão, enquanto IBM caiu 13%, o pior desempenho diário desde 2000. American Express também recuou cerca de 7%, e JPMorgan, Citigroup e Morgan Stanley perderam mais de 4%.
Mercados atribuíram as quedas a uma postagem da Citrini Research, empresa ligada ao investidor James van Gleek e um dos canais de finanças mais lidos no Substack. Analistas ressaltam que o post circulou rapidamente entre investidores.
O texto que viralizou descreve um cenário de PIB fantasma, em que a IA eleva produtividade, mas causa desemprego em massa. A ideia é de que o crescimento de riqueza seria ilusório, com salários reais em queda.
O Financial Times destacou que a notícia gerou apreensão entre investidores, citando a volatilidade do mercado de tecnologia diante das perspectivas da IA. O Wall Street Journal mencionou a turbulência causada por cenários hipotéticos de longo prazo.
No conteúdo viral, o artigo se apresenta como um exercício mental, não uma previsão, com data fictícia de 30 de junho de 2028. O texto descreve desemprego elevado e queda acentuada do S&P em dois anos.
A narrativa aponta que a IA substituiria trabalhadores de alta renda, elevando a eficiência de empresas com agentes de IA. Entretanto, a renda deixaria de circular, gerando o que chamam de PIB fantasma.
Segundo o texto, o ciclo de melhoria da IA levaria a menos contratações, mais demissões e menor consumo. Com o tempo, isso impactaria diversas áreas, incluindo imóveis, serviços financeiros e entregas.
Entre as previsões, há queda na demanda por licenças de software, já que clientes adotariam soluções baseadas em IA. A crise abrangeria também o mercado de transportes e pagamentos com possível migração para stablecoins.
Os autores afirmam que a IA poderia criar poucos empregos suficientes, como engenheiros de prompt ou especialistas em segurança, mas salários seriam menores. O impacto, segundo eles, atingiria trabalhadores altamente qualificados.
O texto descreve que o setor imobiliário sofreria com menor capacidade de pagamento de empréstimos, agravando a arrecadação dos governos. A resposta política seria dificultada pela desaceleração fiscal.
Apesar da repercussão, nem todos endossaram as previsões. Analistas destacaram que o mercado reage a narrativas e que a adaptabilidade humana pode modificar o curso dos fatos. Alguns acreditam que a IA pode ampliar a disponibilidade de recursos.
O JPMorgan Chase declarou, em meio às quedas, que tem pouca razão para temer a IA e que continuará ampliando o uso da tecnologia para oferecer serviços. O banco ressaltou que poderá sair fortalecido.
Em síntese, o texto da Citrini Research, apresentado como exercício mental, não representa uma previsão confirmada. Ainda assim, gerou debate sobre o papel da IA na economia real e na formação de preços de ativos.
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