- Credores da Raízen enviaram cartas aos acionistas Cosan e Shell pedindo uma injeção de capital “substancial e significativa”, com estimativa de necessidade entre 20 bilhões e 25 bilhões de reais para estabilizar a empresa.
- Assinantes das cartas incluíram bancos como Santander, Bradesco, Itaú Unibanco e JPMorgan Chase; a FTI Consulting e a Moelis assinaram em nome de bancos e credores de títulos.
- A negociação atual envolve planos discutidos com BTG Pactual, Cosan e Shell para potencialmente injetar até 5 bilhões de reais em capital, além de possível participação de fundos geridos pelo BTG na distribuição; porém, credores consideram a medida insuficiente.
- Credores defendem que a Raízen não deve ficar sob pressão financeira, citando necessidade de até 12 bilhões de reais de capital por parte de Cosan e Shell, que teriam caixa para isso após dividendos recebidos.
- A Raízen negocia desinvestimentos, incluindo possível venda de refinaria e centenas de postos de gasolina na Argentina por cerca de 1 bilhão de dólares, para contribuir com a capitalização da empresa.
Os credores da Raízen enviaram cartas aos acionistas Cosan e Shell pedindo uma injeção de capital “substancial e significativa” para a empresa, segundo pessoas próximas ao assunto ouvidas pela Bloomberg News. Assinaram bancos como Santander, Bradesco, Itaú e JPMorgan Chase, com a consultoria FTI Consulting representando alguns bancos e a Moelis assinalando em nome dos detentores de títulos.
A Raízen, produtora de açúcar e etanol, enfrenta necessidade de novos financiamentos devido a juros elevados, safra menos robusta do que o esperado e investimentos ainda sem retorno. A classificação de crédito foi rebaixada e os títulos sofreram quedas recentes, elevando a pressão sobre a companhia.
A proposta discutida envolve uma injeção de capital que ficaria entre 20 bilhões e 25 bilhões de reais para estabilizar o negócio. Fontes dizem que a solução apresentada até aqui é insuficiente diante dos encargos e riscos da empresa.
Contexto e desdobramentos
A Bloomberg informou que a Shell, a Cosan e Rubens Ometto avaliam um plano para aportar até 5 bilhões de reais, com fundos geridos pelo BTG Pactual buscando participação em unidades de distribuição e conversão de parte da dívida em capital. Credores, porém, entendem que a Raízen precisa de capital muito superior para evitar maior exposição a segmentos menos lucrativos.
Alguns credores defendem que Shell e Cosan possuem caixa suficiente para investir até 12 bilhões de reais, especialmente após receberem dividendos significativos nos últimos anos. Com esse aporte, acreditam, a dupla poderia servir como âncora para atrair investidores e estabilizar a companhia com 5 a 8 bilhões de reais adicionais.
A expectativa é de que a Raízen finalize, em breve, um acordo para vender uma refinaria e centenas de postos de combustível na Argentina por cerca de 1 bilhão de dólares. Desinvestimentos desse tipo podem complementar a capitalização, segundo as fontes consultadas.
Os credores não veem necessidade de converter toda a dívida em capital, divergindo da abordagem discutida pelos acionistas. O BTG Pactual, através de seu veículo de sócios, se tornou relevante como participante societário no capital da Cosan após aporte anterior.
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