- O IPCA-15 subiu 0,84% em fevereiro; a inflação em 12 meses ficou em 4,10%.
- O resultado ficou acima do esperado pela Reuters (0,57%), mas acima da projeção de 3,82% para o ciclo anual.
- Entre os componentes, destacaram-se passagens aéreas (+11,6%), educação (+5,20%) e transportes (+1,72%).
- O avanço provocou reação negativa no mercado, com alta na curva de juros e expectativa de anúncio do Copom em 17 e 18 de março; a Selic está em 15%.
- As projeções do Focus apontam IPCA de 3,91% neste ano e 3,80% em 2027.
O IPCA-15, a prévia da inflação oficial, subiu 0,84% em fevereiro, frente a 0,20% em janeiro. O indicador é utilizado para guiar a atuação de políticas públicas e econômicas. O movimento ficou acima do esperado pelo mercado, que previa alta de 0,57%.
Em 12 meses, a inflação medida pelo IPCA-15 desacelerou para 4,10%, ante 4,50% no mês anterior. O resultado ficou acima da projeção de 3,82% prevista em levantamento da Reuters. A meta é 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual.
Principais destaques
Segundo o IBGE, a variação de fevereiro foi puxada pelo grupo Transportes, que avançou 1,72%. O setor registrou alta após recuo no mês anterior. A elevação foi influenciada por combustíveis, entre eles etanol, gasolina e diesel.
O custo das Passagens aéreas trouxe leitura expressiva, com alta de 11,6%. Esse item surpreendeu analistas, que esperavam deflação entre 5% e 10%. Outras pressões vieram de seguros de veículos e serviços relacionados.
No campo de Educação, o grupo registrou alta de 5,20% em fevereiro, acelerando após leve queda em janeiro. Reajustes em mensalidades de escolas e cursos contribuíram para o ganho do índice.
No conjunto de Alimentos e Bebidas, a inflaçãocia foi de 0,20% no mês, com altas de tomate e carnes. Arroz, frango e frutas apresentaram queda, ajudando a moderar o grupo.
Analistas destacam que, apesar da surpresa inflacionária, parte relevante do salto houve em itens mais voláteis. Ainda assim, a magnitude do núcleo e a difusão de serviços exigem cautela na leitura de curto prazo.
A divulgação ocorre em meio a expectativas de que o Banco Central inicie ciclo de flexibilização na política monetária. A próxima reunião do Copom está marcada para 17 e 18 de março, com a Selic fixa em 15% no momento.
Para especialistas, a reação dos mercados foi rápida, elevando as taxas de juros. Economistas ressaltam que o resultado não implica mudanças imediatas nos planos de política monetária, apesar do choque de curto prazo.
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