- André Maxnuk, presidente regional da Mercer, afirma que a América Latina não pode competir na era da IA apenas com mão de obra barata; é preciso aumentar produtividade e qualificação, sob pena de migração de operações.
- Ele destaca que apenas quinze por cento das organizações estão realmente mudando suas estratégias de longo prazo com o potencial da IA; o regional pode se beneficiar ao combinar IA com talentos humanos.
- A CEPAL aponta que a produtividade por hora na região cresceu dois vírgula dois por cento em dois mil e vinte e quatro, mas o ritmo é menor do que no resto do mundo, e as lacunas sociais dificultam avanços produtivos.
- Desigualdades estruturais, educação e saúde precárias, além de envelhecimento populacional, são vistos como principais entraves; o salário de um CEO pode chegar a até cem vezes o de um trabalhador iniciante, acentuando as desigualdades.
- Há oportunidades de nearshoring e hubs tecnológicos no México, Brasil e Colômbia; investimentos estrangeiros devem permanecer, mas com postura mais tática diante de incertezas geopolíticas e choques econômicos.
André Maxnuk, presidente regional da Mercer, aponta que a América Latina não conseguirá competir na era da IA apenas explorando mão de obra barata. A avaliação foi dada à Bloomberg Línea, por videoconferência.
Segundo ele, o verdadeiro desafio é como estruturar e compor a força de trabalho para elevar produtividade e qualificação. Sem mudanças, operações podem migrar para mercados mais eficientes.
Ele defende maior parceria público-privada para desenvolver habilidades técnicas e sustentar investimentos, destacando o papel da IA na criação de oportunidades e na reconfiguração do trabalho.
Desigualdade como entrave à produtividade
Maxnuk aponta que lacunas sociais limitam educação, saúde e desenvolvimento, freando a produtividade. Regiões com alta desigualdade tendem a enfrentar maior dificuldade para investir em educação e infraestrutura.
Dados da CEPAL mostram que, em 2024, a produtividade por hora na região avançou 2,2% versus 2023, ainda atrás de países OCDE, que investem mais em políticas de desenvolvimento produtivo.
A Mercer também destaca que a concentração de renda afeta oportunidades de educação e saúde, ampliando barreiras para a produtividade. Os 10% mais ricos concentram cerca de um terço da renda.
Ritmo da adoção da IA e caminhos de política
Maxnuk afirma que, apesar do avanço da IA, a maior parte das empresas utiliza a tecnologia para ganhos pontuais de eficiência. Apenas uma fração busca mudanças estratégicas de longo prazo com IA.
Para o executivo, há potencial de crescimento com políticas que integrem IA e talentos humanos, fortalecendo ecossistemas de startups e inovação na região.
Ele cita exemplos de avanço pontual no México, com hubs tecnológicos em Guadalajara, e iniciativas no Rio de Janeiro, no Brasil, e ressalta a Argentina como polo de inovação.
Perspectivas e cenários de investimento
O dirigente diz que a competitividade na região depende de políticas estruturais, segurança jurídica e instituições estáveis. Sem isso, a atração de investimentos pode ficar comprometida.
Sobre o cenário global, Maxnuk vê reversões estratégicas nas cadeias de suprimento e preocupações com tensões geopolíticas, o que pressiona decisões de investimento direto.
Ele observa que a América Latina pode manter atratividade para nearshoring, com o México como caso claro, além de esforços na Colômbia e no Brasil para diversificar cadeias de abastecimento.
O que esperar nos próximos anos
Empresas devem buscar reconfigurar modelos, talentos e estruturas para competir. Segundo Maxnuk, a região pode ver investimentos mais táticos a curto prazo diante de incertezas globais, sem queda geral de capital estrangeiro.
No radar dos executivos, a priorização é manter produtividade alta, reduzir gargalos sociais e fortalecer políticas que conectem educação, saúde e desenvolvimento econômico.
Mercer reforça que a IA pode ampliar oportunidades e criar empregos, desde que acompanhada de políticas públicas que elevem a qualificação e a inclusão.
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