- A China enfrenta escassez de carne de burro, com preços subindo até cinquenta por cento em relação ao ano anterior e chegando a aproximadamente o dobro do preço da carne de boi.
- Restaurantes em Henan passaram a usar carne de cavalo na sopa, uma mudança que ficou visível em fachadas com o símbolo de cavalo ao lado do burro.
- A junção entre demanda interna elevada, redução da oferta ao longo de décadas e crackdown de segurança alimentar ampliou a dependência de importações.
- Países como Uruguai, Brasil e Mongólia são importantes exportadores oficiais combinados de carne de cavalo e burro, com o mongol dominando as remessas para a China.
- A fiscalização intensiva levou a prisões de redes que falsificavam carne, e especialistas sugerem que, sem subsídios estatais, a produção doméstica de carne de burro pode permanecer insuficiente, empurrando o produto para o status de luxo.
A China enfrenta uma queda na oferta de carne de jumento, elevando os preços de um ingrediente regional tradicional. Restaurantes em Henan têm migrado para a carne de cavalo em caldos, após anos de redução de rebanhos. A mudança foi marcada por alterações visíveis nos estabelecimentos de Zhengzhou.
Os preços do jumento subiram até 50% em relação a 2023, chegando perto do dobro do preço da carne bovina. A escalada ocorre após inspeções de segurança alimentar ampliarem a exposição de uma base de suprimento em declínio.
A inexistência de uma captação de animais com foco em carne explica em parte a escassez. A produção doméstica não acompanha a demanda crescente, o que amplia a dependência de importações e de mercados internacionais para atender o consumo.
Mercado e consumo
Em Hebei, região próxima a Pequim, o jumento é tradicional em restaurantes que preparam carne, vísceras e até a cabeça inteira. O sanduíche típico, conhecido como “hambúrguer de jumento”, é amplamente difundido em redes e pequenos comércios.
Com o aumento de preços, críticos apontam que o consumo doméstico é limitado por fatores culturais e pela preferência por carnes alternativas. Em algumas regiões do sul, a percepção sobre o gosto do jumento também influencia a demanda.
Produção e políticas públicas
Entre as causas da queda do rebanho está a mecanização agrícola, que substituiu o jumento como animal de trabalho. Em 2024, a taxa de mecanização da China chegou a 74%, frente a 32% em 2000, reduzindo o papel econômico do jumento.
Fontes de pesquisa apontam para pouca atração de investidores em genética e melhoramento do jumento, em comparação a bovinos e suínos. A falta de subsídios governamentais favorece a produção de outras proteínas, mantendo o jumento menos competitivo.
Os produtores costumam abater os animais para obter lucro com o preço elevado, agravando o declínio populacional. Em resposta, o comércio de carne de jumento importada ganha espaço, especialmente de países da América do Sul.
Importações e fiscalização
Além das importações oficiais, há contrabando de carne de jumento. Em 2024, uma operação flagrou 13 toneladas trazidas do Vietnã após um acidente no Estreito de Taiwan. A comercialização de carne adulterada com carne de cavalo permanece como risco antigo.
Mercados estrangeiros com potencial vendedor, como Uruguai, Brasil e Mongólia, são citados como os principais exportadores para a China, embora as cifras oficiais não desagreguem jumento e cavalo separadamente.
Perspectivas
Especialistas destacam que tornar a indústria do jumento legítima e sustentável exigiria subsídios para manter rebanhos, algo improvável de ocorrer em nível nacional. A competição com a carne bovina importada pressiona políticas públicas.
Sem intervenção governamental, o mercado tende a transformar o jumento de alimento popular de ponta de linha a produto de luxo, com impactos sobre comunidades locais e ecologias agrícolas distantes.
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