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Ex-auxiliares de Guedes desmontam narrativa sobre a herança maldita

Ex-colaboradores de Guedes apresentam dados oficiais que contestam a "herança maldita", apontando aumento da despesa primária, dívida em alta e restos a pagar

O ex-ministro da Economia Paulo Guedes tem evitado entrevistas desde que deixou o governo
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  • Ex-ministro Paulo Guedes não concedeu entrevistas desde o fim do governo, mantendo o silêncio há mais de três anos.
  • Um ex-colaborador enviou ao colunista uma mensagem com gráficos oficiais do Tesouro Nacional e do Banco Central para contestar a narrativa de Lula e Haddad sobre a “herança maldita”.
  • Entre 2023 e 2025, gastos primários no governo Lula cresceram, em média, 4,7% ao ano; entre 2019 e 2022, o crescimento foi de 2,8% ao ano.
  • Em 2025, gasto com Previdência chegou a 1 trilhão de reais; em 2022, foram 926 bilhões de reais.
  • Dívida líquida chegou a 65,3% do PIB em 2025; dívida bruta fechou em 78,7% do PIB em 2025, com juros implícitos de 12,7%.

O ex-ministro da Economia Paulo Guedes não participa de entrevistas desde o fim do governo, mantendo-se afastado das controvérsias públicas. Mesmo com pedidos da imprensa, ele não tem falado sobre críticas à gestão. Ainda assim, ex-colaboradores próximos à equipe econômica têm adotado a mesma postura de evitar polêmicas com o governo atual.

Diante da ofensiva de Lula e Haddad para enfatizar a narrativa da “herança maldita”, um ex-auxiliar de Guedes enviou ao colunista uma mensagem pelo WhatsApp com vários gráficos e dados oficiais. Os materiais, compilados por ex-colegas da antiga equipe econômica, visam contestar números apresentados pelo governo atual.

O conteúdo, cuja autoria permanece sob sigilo, utiliza números do Tesouro Nacional e do Banco Central. Os indicadores são organizados por tema fiscal e pretendem oferecer uma visão comparativa entre a gestão Guedes, o governo Lula 3 e governos anteriores.

Pontos-chave apresentados

  • Gastos públicos: entre 2023 e 2025, o crescimento real da despesa primária no governo Lula foi de 4,7% ao ano, ante 2,8% entre 2019 e 2022. O período 1998-2018 registrou 5,2% ao ano.
  • Despesa primária x PIB: de 2018 a 2022 houve queda de 1,4 ponto porcentual do PIB; de 2022 a 2025 houve alta de 0,8 ponto. Cada ponto do PIB corresponde a cerca de R$ 130 bilhões.
  • Previdência: em 2025, gasto previdenciário atingiu R$ 1 trilhão; em 2022 foi de R$ 926 bilhões, variação de -12%. Em relação ao PIB, o aumento foi de 0,8% sob Lula contra queda de 0,5% no governo Bolsonaro.
  • Custeio da máquina pública: em 2022, gasto com custeio (exclui pessoal) foi de R$ 60,2 bilhões; com Lula 3 chegou a R$ 72,7 bilhões, alta real de 20,9%. Entre 2019 e 2022 houve redução de R$ 8,2 bilhões.
  • Restos a pagar (RAP): em 2022/2023, RAP ficou em R$ 291,7 bilhões; picos pandêmicos chegaram a R$ 303,4 bilhões em 2020/2021. Em 2025/2026, RAP chegou a R$ 391,5 bilhões, 34% acima de 2022.
  • Despesas com estatais: em 2022, saldo primário das estatais, excluindo Petrobras e Eletrobras, foi de superávit de R$ 6,1 bilhões; em 2025 houve déficit de R$ 5,9 bilhões.
  • Dívida líquida: de 2023 a 2025, alta expressiva, atingindo 65,3% do PIB em 2025, com aumento de 9,2 pontos percentuais do PIB e核心 incremento de R$ 2,7 trilhões.
  • Dívida bruta: ao fim da gestão Guedes, 71,7% do PIB; em 2025 chegou a 78,7% do PIB (R$ 10 trilhões). Desde 2020 houve queda até 2022, mas a partir de 2023 o endividamento voltou a subir.
  • Taxa de juros: a Dívida Bruta teve juro implícito de 12,7% em 2025; gasto com juros superou R$ 1 trilhão no ano, equivalente a quase R$ 2 milhões por minuto. A dívida líquida marcou 13,8% em 2025, frente 11,6% em 2022.
  • Resultado fiscal estrutural: o indicador mostra superávit estrutural de 0,3% do PIB em 2022; em 2025 o déficit estrutural alcançou 0,9%. Em relação a Temer, Guedes teve ganho de 2,3 pontos percentuais do PIB; Haddad, déficit de 1,2 p.p. em comparação ao antecessor.

Contexto e leitura

Os números apresentados tentam sustentar a visão de que a narrativa de alta gastos no governo Lula não é compatível com a realidade fiscal, segundo a interpretação do ex-colaborador. A validação completa depende de conferência com fontes oficiais e transparência na metodologia.

O material divulgado por meio de mensagens privadas enfatiza diferenças entre gestão Guedes e governos recentes, sugerindo que a deterioração do quadro fiscal seria atribuível a decisões tomadas após o fim de 2022. As informações destacadas abrangem contas públicas, dívida e despesas setoriais até dezembro de 2025.

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