- Bitcoin caiu mais de 50% desde o pico de US$ 126 mil em outubro de 2025, sendo negociado abaixo de US$ 63 mil em fevereiro de 2026.
- O Índice de Medo e Ganância (Fear & Greed Index) chegou a 5, sinalizando pânico no mercado.
- Fatores macro: Fed adotou postura mais dura; a nomeação de Kevin Warsh criou expectativa de menos liquidez; mudanças de tarifas de Donald Trump geraram volatilidade; Nvidia elevou as preocupações sobre correlação com ações, levando o Bitcoin a ficar abaixo de US$ 67 mil.
- Dados on-chain mostram pressão de venda: prêmio da Coinbase negativo por 21 dias e saída de cerca de US$ 14 bilhões em stablecoins entre dezembro e fevereiro, com hedge funds tendo menor rendimento.
- Brasil avança na regulação cripto com regras do Banco Central, incluindo segregação de ativos e tratamento de stablecoins como câmbio; há debate sobre uma possível cobrança de IOF de 3,5% sobre criptomoedas, enquanto o mercado global não reage de imediato.
O Bitcoin chegou a fevereiro de 2026 em território de recuperação após uma queda forte. Depois de atingir US$ 126 mil em outubro de 2025, a criptomoeda despencou mais de 50% e ficou abaixo de US$ 63 mil. O mercado, antes confiante, mostrou sinais de pânico pelo Fear & Greed Index, que caiu a 5, número inédito de forte aversão ao risco.
Para o investidor, a dúvida é se há oportunidade de compra ou se o cenário aponta para calafrios adicionais. O combina de fatores macro, dados on-chain e regulações promete ditar o ritmo dos próximos movimentos no ecossistema cripto.
A tempestade perfeita do Tio Sam
O Federal Reserve sinalizou uma postura mais dura, sugerindo o fim da era de juros baixos. A nomeação de Kevin Warsh ao Fed provocou reação entre investidores, reduzindo a percepção de liquidez. Warsh já descreveu cripto como software fingindo ser dinheiro.
No mesmo dia, Donald Trump anunciou novas tarifas globais, após a Suprema Corte ter derrubado tarifas anteriores. A volatilidade política ampliou a sensação de incerteza, levando investidores a reduzir ativos de maior risco, entre eles o Bitcoin.
A correlação com o mercado de ações também ficou evidente. A divulgação dos resultados da Nvidia elevou o humor do mercado, mas as ações caíram e o Bitcoin acompanhou, rompendo a faixa acima de US$ 67 mil e evidenciando a fragilidade da tese de desancoragem do preço.
A autópsia on-chain
Dados da blockchain mostraram a pressão interna. O Prêmio da Coinbase esteve 21 dias seguidos negativo, chegando a US$ 167 negativos, indicando venda agressiva de instituições americanas frente a outros mercados. Isso reforçou a percepção de retirada de liquidez.
Houve também fuga de capital do mercado de stablecoins: cerca de US$ 14 bilhões resgatados entre dezembro e fevereiro, com investidores convertendo ativos em dólares. Esse movimento indica saída líquida do ecossistema cripto.
Os hedge funds reduziram o rendimento do basis trade, caindo de até 17% para menos de 5% ao ano, o que colaborou para a queda geral de apetite por risco e para a erosão da percepção de ainda existir um “ouro digital” não correlacionado.
O Brasil entra em campo
No Brasil, o banco central implementou março uma nova regra regulatória para o setor de cripto, com efeitos a partir de fevereiro. Entre as mudanças, as exchanges devem separar patrimônio da empresa dos fundos dos clientes, aumentando a segurança.
Ainda, as transações com stablecoins passaram a ser tratadas como operações de câmbio, elevando obrigações de sigilo para as empresas do setor. Em paralelo, o governo avaliou a cobrança de IOF de 3,5% sobre compras de criptomoedas para reduzir a dolarização informal.
Essa proposta, contudo, não alterou o preço global do Bitcoin, mas marca uma mudança relevante para o quinto maior mercado cripto do mundo, segundo a Chainalysis. A atualização traz maturidade ao setor, com custos adicionais e complexidade operacional.
Rumos e perspectivas
O preço do Bitcoin recuou para níveis não vistos há mais de um ano, despertando o interesse de quem pretende investir. Dados on-chain indicam acumulação discreta por baleias, associada a potenciais reversões de tendência, enquanto o lucro de muitas carteiras ainda está negativo.
Apesar disso, a retirada de capital institucional, o fim do basis trade e a forte correlação com ações instáveis mantêm a cautela. O analista James Check, da Glassnode, aponta que um fundo pode estar próximo, mas a consolidação pode demorar meses.
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Sobre o autor
André Franco é CEO da Boost Research, analista de criptoativos desde 2017 e colunista do Portal do Bitcoin. Atuou como diretor de Research do MB | Mercado Bitcoin.
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