- Especialistas dizem que uma nova reforma da Previdência já deveria estar pensada desde já, devido à informalidade no mercado de trabalho, mudanças na ocupação e benefícios atrelados ao salário mínimo.
- Em dois mil e vinte e cinco, o déficit do Regime Geral de Previdência Social chegou a quarenta e seis bilhões de reais; a maior parte desse total, mais de trezentos e vinte bilhões, foi para cobrir o RGPS, com incremento de cerca de dezessete bilhões frente a dois mil e vinte quatro.
- Mais de sessenta por cento dos benefícios são indexados ao salário mínimo, elevando as despesas conforme o piso avança.
- O envelhecimento da população, aliado à queda de natalidade, deve ampliar o rombo ao longo das próximas décadas, com menos contribuintes para financiar mais aposentados.
- O número de beneficiários subiu de 28,3 milhões em dois mil e quinze para 35,2 milhões em dois mil e vinte e cinco, enquanto as despesas cresceram quase o dobro da arrecadação.
Brasil encara necessidade de novas mudanças na Previdência Social, segundo especialistas ouvidos pelo g1. Mesmo com a última reforma de 2019, fatores atuais pressionam o sistema, exigindo estudo e debate que já começam a ocorrer.
Especialistas apontam que alta informalidade, mudanças no mercado de trabalho e ocupações que não contribuem para a Previdência elevam o buraco fiscal. Benefícios indexados ao salário mínimo também crescem sem freio, pressionando as contas.
O ritmo de envelhecimento da população, aliado à queda de natalidade, aparece como outro motor da pressão. Governos anteriores já reconheceram esse cenário, com o Tesouro sinalizando a necessidade de discutir o tema inevitavelmente.
Situação fiscal atual e impactos
Em 2025, a diferença entre o que é arrecadado e o que o governo gasta com benefícios chegou a 436 bilhões de reais. A maior parte desse déficit concentrou-se no Regime Geral de Previdência Social (RGPS), com mais de 320 bilhões, ante 2024.
A combinação de informalidade e novas formas de ocupação, como trabalhadores de aplicativo, reduz a base de contribuintes. A valorização do salário mínimo amplia as despesas, pois mais de 60% dos benefícios são atrelados ao piso.
Bernardo Schettini, consultor do Senado, ressalta que a arrecadação não acompanha as despesas. Ele acredita ser necessária mudança no modelo de custeio da Previdência para manter a sustentabilidade.
Perspectivas demográficas e demanda por ajustes
Leonardo Rolim, consultor da Câmara, destaca o impacto demográfico. Em 2070, o número de idosos deve quintuplicar em relação a 2000, aumentando o desequilíbrio entre contribuintes e beneficiários.
Segundo Rolim, no regime de repartição, as contribuições de trabalhadores ativos financiam aposentados, sem fundos individuais. O resultado é um rombo crescente com o tempo, se o modelo não for ajustado.
Dados da IFI mostram crescimento no número de benefícios: 28,3 milhões em 2015 contra 35,2 milhões em 2025. O déficit da previdência passou de 147,5 bilhões em 2015 para 323,1 bilhões em 2025, com despesas totais de 1,04 trilhão no mesmo ano.
O que se espera para o futuro
Analistas destacam que o debate sobre reforma não é apenas financeiro, mas estrutural. O aumento do gasto com benefícios, aliado à desaceleração de receitas, exige avaliação de mudanças no custeio e na indexação de valores.
Autoridades reconhecem a necessidade de discutir o tema, com especialistas divergindo apenas quanto ao tempo e à metodologia. O governo tem sinalizado que o tema deve ser tratado de forma inevitável nos próximos anos.
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