- Estudo da data8 mostra que brasileiros com mais de 50 anos, das classes C, D e E, vivem mais e ficam no mercado de trabalho por mais tempo, muitas vezes por necessidade.
- A aposentadoria é a principal renda para apenas 3 em cada 10; 34% têm o benefício previdenciário como maior renda na casa, e os demais seguem trabalhando.
- Entre os aposentados da classe D, 52% continuam no mercado; 41% vivem de trabalho autônomo e apenas 2% têm previdência privada.
- A renda média mensal nessas classes é de cerca de R$ 1.600, enquanto nas classes A e B é de R$ 7.800; juntos, esse grupo movimenta cerca de R$ 180 bilhões nas comunidades.
- O perfil é dominado por mulheres, 55% a 59% conforme a classe, com maioria pretas ou pardas, que ajudam financeiramente filhos e netos e relatam sentir solidão, apoiadas pela fé e pelo entorno.
O estudo Velhices Periféricas, da empresa data8, aponta que brasileiros com mais de 50 anos das classes C, D e E vivem mais e permanecem ativos no mercado de trabalho por mais tempo. O levantamento revela que a renda é baixa, mas o consumo movimenta economias locais nas periferias.
A pesquisa combinou dados quantitativos e qualitativos sobre comportamento, saúde, trabalho e tecnologia, com entrevistas presenciais na Grande São Paulo. O objetivo é entender como esse grupo envelhece dentro de contextos de renda mais baixa.
Desempenho econômico nas comunidades periféricas
Entre os 50+ das classes C, D e E, a aposentadoria figura como a principal renda de apenas 30% dos entrevistados. Outros 34% dependem de benefício previdenciário como maior ganho familiar, e os demais continuam atuando no mercado.
O estudo aponta que a maior parcela dos aposentados da classe D permanece trabalhando: 52%. O trabalho autônomo é dominante, com 41% nessa condição, e apenas 2% têm acesso à previdência privada. A renda média é de cerca de R$ 1.600, bem inferior aos R$ 7.800 de A e B.
Dinheiro que circula e quem sustenta a economia
Mesmo com renda reduzida, essas famílias movimentam aproximadamente R$ 180 bilhões por mês nas comunidades onde vivem. A pesquisadora Adriana de Queiroz afirma que o dinheiro circula e que os mais velhos mantêm a economia local, ainda que haja pouca proteção social.
A pesquisa também indica perfil de consumo: muitos compradores de eletrônicos, remédios e alimentos não têm acesso a produtos financeiros. Cerca de 15% não possuem qualquer modalidade de crédito ou serviço financeiro. O estudo ressalta desigualdades regionais na expectativa de vida entre bairros pobres e ricos.
Quem compõe o retrato demográfico
Entre as pessoas acima de 50 anos nas classes C e D, 55% são mulheres, subindo para 59% na classe D. Aproximadamente 70% se autodeclaram pretas ou pardas, e 43% ajudam financeiramente filhos e netos. A fé, especialmente evangélica, orienta hábitos e valores de 31% do grupo.
Adriana destaca que envelhecer nas periferias tem rosto específico: mulheres, racializadas, morando com filhos e netos, que cuidam de várias gerações e enfrentam solidão. A professora ressalta disparidades de expectativa de vida entre regiões da cidade.
Histórias de vida na prática
Jesus de Paula, 80, e Helena Santos, 79, continuam atuando com o que gostam. Ele foi metalúrgico na Volkswagen e, após aposentado, passou a dar aulas de violão e viola. Helena revende roupas garimpadas em brechós, cuida da casa e não se aposentou formalmente.
Ruth, 64, trabalhou 28 anos na Volkswagen e, após a aposentadoria, seguiu em funções relacionadas a exportação por mais duas décadas. Ela afirma que voltar ao trabalho seria viver e conversar com pessoas. Maria da Graça Genésio, 73, montou um estúdio de estética em Osasco após a aposentadoria, mantendo vínculo com clientes.
Conclusões do levantamento
O estudo aponta que o envelhecimento periférico é marcado por atuação contínua no mercado e pela sustentação de economias locais, mesmo com renda baixa e menor proteção social. O relatório não traz conclusões, apenas descreve o cenário observado pela data8.
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