- Ceron disse que o conflito no Irã pode antecipar a parada do ciclo de cortes da Selic caso haja maior incerteza e repasse de preços.
- O Banco Central mantém a Selic em quinze por cento e sinaliza início de cortes ainda neste mês.
- A Fazenda reunirá equipes nos próximos dias para avaliar cenários e possíveis impactos para o país.
- O petróleo valorizado pode aumentar a arrecadação de tributos e melhorar a balança comercial; o preço do petróleo subia perto de oito por cento.
- Ceron afirmou que o Brasil está posicionado como porto seguro para investimentos externos e que o governo pode diversificar emissões da dívida pública.
O coronavírus do Irã pode antecipar o fim do ciclo de cortes da Selic, segundo Rogério Ceron. O secretário do Tesouro afirmou que, se o conflito aumenta a incerteza e o repasse a preços, o Banco Central pode encerrar o ciclo antes do previsto. A análise ocorre em meio à escalada geopolítica.
Após ataques entre EUA e Israel contra o Irã, o Ministério da Fazenda reúne equipes para avaliar impactos no Brasil. A ideia é mapear cenários com possível efeito sobre a arrecadação, a balança comercial e a dívida pública. A avaliação é de curto prazo.
O preço do petróleo avançava próximo a 8% na manhã de segunda-feira, com interrupção do transporte no Estreito de Ormuz. Ceron lembrou que a valorização do petróleo pode ter efeito inflacionário limitado pelo impulso recente do real.
Cenário para a política monetária
Ceron afirmou que não há indicação de mudança no ritmo de curto prazo da autoridade monetária. Em cenários mais extremos, como petróleo acima de US$ 100 o barril, haveria pressão inflacionária adicional e impactos para a atividade.
O BC mantém a Selic em 15% e sinalizou início de cortes neste mês, sem detalhar magnitude ou duração do ciclo. Dados de mercado apontavam alta nos juros futuros, mesmo com a projeção de recuo no teto da taxa conforme o boletim Focus.
Perspectivas fiscais e sociais
Ainda segundo o secretário, o ambiente de atritos globais pode tornar o Brasil um destino de investimentos externo. O governo avalia possibilidades de diversificação de emissões de dívida pública. Ceron aponta ganhos potenciais com a arrecadação de tributos.
Sobre programas sociais, Ceron indicou espaço para reorganização e redução de sobreposição de iniciativas, citando judicialização como desafio. Não há consenso sobre a expansão de despesa, segundo ele, que aponta redução de indicadores de pobreza.
BRB e governo
Ceron afirmou que não há discussão sobre a federalização do BRB. A questão, segundo ele, deve ser resolvida pelo Distrito Federal e pela própria instituição financeira, sem intervenção governamental.
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